DIGNIDADE PROFISSIONAL
Médicos do mundo se unem no RN para combater crise da profissão
Congresso Extraordinário Roberto Chabo, organizado pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam), reúne representantes de oito países em Natal, Rio Grande do Norte, de 29 de abril a 2 de maio de 2026. O evento busca soluções urgentes para a crise da precarização profissional, abordando perdas de direitos e queda salarial, e o impacto direto na dignidade do trabalho médico e na qualidade da assistência à saúde oferecida à população.
A Federação Nacional dos Médicos (Fenam) organizou um Congresso Extraordinário Roberto Chabo em Natal, Rio Grande do Norte, reunindo representantes de oito países para combater a crise estrutural que deteriora as condições de trabalho médico globalmente. O encontro, que acontece entre 29 de abril e 2 de maio de 2026, busca unificar a defesa da categoria e garantir a dignidade profissional, impactando diretamente a qualidade da assistência à saúde oferecida à população.
Geraldo Ferreira, presidente da Fenam e do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed), enfatizou a gravidade do panorama global: "Há uma crise estrutural no trabalho médico, com perda de direitos, queda na remuneração e impacto na qualidade do serviço prestado". Para ele, a principal resposta do congresso é a criação de uma central ibero-americana, capaz de unificar a defesa da categoria e fortalecer a articulação institucional em nível internacional.
A programação do evento aborda temas cruciais como remuneração mínima, condições de trabalho dignas e a formação médica, além de discussões aprofundadas sobre atenção básica e a regulação do ensino. Há também um forte foco na articulação com organismos como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), visando à estruturação de políticas públicas que protejam e valorizem o setor médico.
A realidade de precarização ecoa em outros países. O médico André Gomes, presidente dos sindicatos médicos da Zona Sul de Portugal, revelou que, embora a maioria dos médicos portugueses trabalhe no serviço público de saúde, eles enfrentam jornadas exaustivas e uma perda significativa de poder de compra. "Nos últimos 15 a 20 anos, perdemos 30% do poder de compra do nosso salário", lamentou Gomes, evidenciando o desgaste financeiro da profissão.
Do Uruguai, o médico Geraldo Elguren destacou a alarmante expansão de contratos precários e seus impactos sobre a qualidade do atendimento. Ele observou que "há uma precarização do trabalho médico, sobretudo no nível de emergência e primeiro nível de atenção", fenômeno agravado pela pressão para a redução de custos e pela estagnação salarial, que compromete a estabilidade dos profissionais.
O argentino Ruben Tucci sublinhou o impacto direto dessa deterioração nas condições de trabalho sobre a qualidade da assistência prestada à população. "Apesar da nossa luta ano após ano, vemos que as condições de trabalho estão decaindo dia após dia", afirmou Tucci, que também criticou o desequilíbrio entre os investimentos em saúde pública e na indústria farmacêutica, sugerindo uma inversão de prioridades prejudicial aos pacientes.
A neurologista Glória Meza, do Paraguai, e o cardiologista boliviano Vicente Gutierrez reforçaram a urgência da articulação internacional para enfrentar esses desafios. Gutierrez foi enfático ao afirmar que a valorização da profissão exige remuneração justa e condições adequadas de trabalho. "O trabalho tem que ser digno, bem remunerado e com qualidade para atender a população", ressaltou, destacando o potencial da iniciativa para influenciar políticas públicas e restaurar a dignidade da categoria.
Para os organizadores, o Congresso Extraordinário Roberto Chabo representa um marco integrador diante de problemas comuns, como o excesso de profissionais em algumas regiões, a informalidade, a terceirização e disputas por atribuições no sistema de saúde. A expectativa é que o encontro culmine na formalização de uma entidade permanente, capaz de coordenar estratégias e fortalecer a interlocução política da categoria médica em escala global, garantindo que a voz dos profissionais e a qualidade da saúde pública sejam ouvidas e respeitadas.
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