CIRURGIA PREVENTIVA
Mastectomia e ooforectomia preventiva não eliminam totalmente o risco de câncer, alertam especialistas
Procedimentos reduzem em até 90% o risco de tumores de mama e ovário, mas não garantem eliminação completa; decisão deve ser individualizada.
A descoberta de mutações genéticas em genes como BRCA1 e BRCA2 impulsionou o debate sobre cirurgias preventivas, como a retirada das mamas (mastectomia) e dos ovários (ooforectomia). Embora esses procedimentos reduzam drasticamente a probabilidade de desenvolver câncer, especialistas ressaltam que eles não erradicam totalmente a possibilidade da doença. A decisão sobre a realização dessas intervenções deve ser rigorosamente individualizada, considerando o histórico familiar, a idade, o desejo reprodutivo e um acompanhamento médico especializado.
Entenda os genes BRCA e o aumento do risco de câncer
Os genes BRCA1 e BRCA2 desempenham um papel crucial na reparação do DNA e na proteção do organismo contra o crescimento celular descontrolado. Mutações hereditárias nesses genes elevam significativamente o risco de desenvolver câncer, especialmente de mama e ovário. A oncologista Roberta Galvão, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, explica que mulheres com essas mutações podem enfrentar um risco muito maior de ter a doença ao longo da vida. "Na população geral, o risco de uma mulher desenvolver câncer de mama gira em torno de 12%. Já em mulheres com mutações em BRCA1 ou BRCA2, esse risco pode chegar a aproximadamente 60% a 80%". Ela enfatiza que um teste genético positivo não é um diagnóstico definitivo, mas sim uma ferramenta para tomada de decisão informada: "Genética não é destino, é informação para tomada de decisão."
Indicações para mastectomia e ooforectomia preventiva
A mastectomia preventiva é geralmente indicada para pacientes com mutações genéticas ligadas ao câncer hereditário. "A mastectomia preventiva diminui cerca de 90% o risco de desenvolver câncer de mama, mas não o impede completamente", aponta o mastologista Alexandre Bravin, do Hospital Anchieta, em Brasília. A retirada dos ovários também pode ser recomendada, pois contribui para reduzir a produção hormonal associada ao crescimento de tumores mamários. Conforme destaca a oncologista Roberta Galvão, a ooforectomia preventiva é uma estratégia fundamental para o câncer de ovário, diante da ausência de exames de rastreamento eficazes para a doença.
Cirurgia: redução de risco, não eliminação total
Apesar da expressiva diminuição no risco, os procedimentos preventivos não oferecem proteção absoluta. Pequenas quantidades de tecido mamário ou células microscópicas podem permanecer no corpo. "Mesmo após a cirurgia, a paciente precisa manter acompanhamento porque fica um pouco de tecido mamário e são pacientes de risco elevado", alerta Bravin. Adicionalmente, as cirurgias envolvem riscos potenciais, como infecção, hematomas, dor, perda de sensibilidade e a necessidade de novas intervenções. Especialistas reiteram que, mesmo com os avanços em oncogenética e cirurgia, não há uma solução que zere completamente o risco de câncer. A principal vantagem dessas abordagens reside na redução substancial das chances de desenvolver a doença e na viabilização do diagnóstico precoce em indivíduos de alto risco. Portanto, a decisão sobre realizar mastectomia ou ooforectomia preventiva deve ser tomada com acompanhamento especializado, avaliação individualizada e clareza sobre os benefícios, limitações e os potenciais impactos físicos e emocionais.
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