CENÁRIO POLÍTICO
Marinho: Lula 3 "começou velho" e STF “intervém”
Senador Rogério Marinho (PL) aborda a inflação, o debate da escala 6x1 e as eleições de 2026 em entrevista à Jovem Pan News Natal.
O senador Rogério Marinho (PL) traçou um panorama incisivo da política nacional, lançando duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao debate sobre a escala 6x1. Suas declarações, proferidas nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News Natal (93,5 FM), alertam para os desafios econômicos, a estabilidade institucional e o impacto direto na vida dos trabalhadores, sublinhando as preocupações de parte da classe política com os rumos do país.
Lula 3 e a Economia: Governo “velho” e Inflação Perversa
Marinho avaliou que o atual governo de Lula, o terceiro mandato, repete os equívocos de gestões anteriores do PT. "O Lula 3 já começou velho, ultrapassado, com as mesmas ideias, com os mesmos métodos. Certamente os resultados não serão diferentes", sentenciou o senador. Ele apontou uma crescente dificuldade de governabilidade e um desgaste perceptível junto à população. "Há uma cristalização dessa rejeição do Lula. Por mais que ele se esforce para tentar voltar a ter conexão com a sociedade, na minha opinião, desde o início do governo já havia essa desconexão", observou.
A política econômica federal também esteve no alvo do senador, que relacionou o aumento da inflação ao crescimento descontrolado dos gastos públicos. "A inflação é o imposto mais perverso para os mais humildes. O pobre não tem como se proteger. O que ele ganha, no primeiro momento, já vai para comprar comida", enfatizou, sugerindo que o presidente busca recuperar popularidade com medidas populistas. "Lula está desesperado para retomar sua conexão com a sociedade", afirmou.
Ao analisar a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, Rogério Marinho interpretou a postura de Lula como reflexo de um "ressentimento político". "O presidente Lula não é um líder estadista. Ele demonstra praticamente todos os dias. Esse ato dele é mais uma demonstração da maneira como ele se comporta. É alguém que tem rancor, que tem ressentimento", criticou.
Escala 6x1: Um Alerta para o Trabalhador e Pequenos Negócios
Durante a entrevista, o senador dedicou atenção especial ao debate sobre o possível fim da escala 6x1, classificando-o como simplista e desconsiderando os profundos impactos econômicos. "Hoje nós temos uma discussão rasa, emergencial e eleitoreira, que infelizmente não está tendo o cuidado necessário de ser apurada para evitar consequências ruins para a sociedade", declarou.
Marinho alertou para o risco de fechamento de pequenos negócios e o consequente aumento de preços caso não haja compensações econômicas adequadas. "Se isso acontecer e ao mesmo tempo diminuir empregos? Se aumentar o preço dos produtos e serviços? Se pequenos empresários, que representam 70% dos empregos gerados no país, fecharem as suas portas porque vão ter dificuldade [de] fechar suas contas?", questionou, ressaltando o impacto direto na dignidade do empreendedor e do trabalhador.
O senador defendeu uma abordagem gradual e negociada para eventuais mudanças na carga horária. "Ao longo do tempo vem caindo a carga horária de trabalho, mas fruto da negociação entre as partes", explicou. Ele também destacou a complexidade do cenário profissional, rejeitando uma regra única. "É impossível encararmos a complexidade da nossa economia e afirmarmos que todo trabalhador tem a mesma realidade", disse.
STF e Crise Institucional: “Intervenção” e Mandatos para Ministros
Rogério Marinho não poupou críticas ao Supremo Tribunal Federal, apontando uma crise institucional e o que chamou de "intervenção" da Corte sobre os demais poderes. "O Supremo Tribunal Federal, ao longo dos anos, tem sido marcado por uma intervenção muito profunda em relação aos outros poderes da República", afirmou.
Ele conectou esse cenário à rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, em votação no Senado, interpretando o movimento como um recado do Congresso ao governo federal. "Ministros com este perfil de alinhamento político com o presidente da República, que não tenham isenção e postura de magistrados, certamente terão dificuldades ao serem avaliados dentro do plenário", declarou Marinho, antevendo resistência similar para futuras indicações de Lula ao STF. "Um novo nome apresentado hoje ao Senado provavelmente teria o mesmo destino", projetou.
O senador reiterou sua defesa por mandatos definidos para ministros do STF, argumentando que a permanência prolongada na Corte desconecta os magistrados da realidade social. "Alguém que passa 30 anos no Supremo perde completamente a conexão com a sociedade", frisou, enfatizando a necessidade de restaurar a institucionalidade e os limites entre os poderes. "Está faltando institucionalidade. Perderam-se as medidas e as pessoas acham isso normal", criticou.
Eleições de 2026: PL busca fortalecer presença no Nordeste
Ao abordar o próximo pleito eleitoral, Rogério Marinho indicou que o PL se articula para expandir sua influência no Nordeste, fortalecendo alianças regionais com o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele elogiou o senador Flávio Bolsonaro, vendo-o como um continuador do bolsonarismo. "Ele tem os mesmos conceitos e valores do pai, com uma visão conservadora da sociedade e liberal do ponto de vista econômico", afirmou, destacando os esforços do partido em estruturar palanques estaduais para a eleição presidencial de 2026.
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