DESASTRE E DEPORTAÇÃO

Mais de 100 venezuelanos deportados dos EUA desaparecem após terremotos

Edifícios destruídos em La Guaira, Venezuela, após terremoto.
Imagem aérea mostra edifícios em Caraballeda, no estado de La Guaira, na Venezuela, em 29 de julho de 2026, após terremoto. — Foto: Miguel Medina/AP

Grupo estava em hotel em La Guaira horas antes dos tremores de 7,2 e 7,5 de magnitude que atingiram a Venezuela.

Mais de cem venezuelanos, que haviam acabado de ser deportados dos Estados Unidos, estão desaparecidos após terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingirem a Venezuela. O grupo estava hospedado em um hotel na cidade de La Guaira, uma das áreas mais afetadas pelos tremores, que ocorreram na quarta-feira, 30/06/2026. A situação desencadeou uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes e vítimas entre os escombros, segundo relatos de pessoas que conseguiram escapar.

Um voo com 146 venezuelanos, incluindo 19 mulheres e sete crianças, partiu de Miami e chegou à Venezuela poucas horas antes dos terremotos, conforme o ICE Flight Monitor. Ao desembarcarem, foram direcionados para o Hotel Santuario La Llanada, em La Guaira.

Cachorrinha é encontrada com vida cinco dias após terremoto na Venezuela
Cachorrinha é encontrada com vida cinco dias após terremoto na Venezuela

Lisbeth Portillo, de 58 anos, relatou ter escapado dos escombros do hotel com cerca de 20 outros deportados. Juntos, caminharam quilômetros em busca de ajuda, testemunhando o caos e a destruição em La Guaira. "Caminhamos cerca de cinco quilômetros, e eu chorei e chorei... não havia comunicação", disse Portillo, que conseguiu ligar para familiares de um posto da Guarda Nacional.

Portillo, que atravessou a fronteira do México com os EUA em novembro de 2021 e possuía um pedido de asilo pendente, foi presa como parte da política de deportações em massa do governo Trump. O ICE Flight Monitor registrou 288 voos de deportação para 38 países apenas em maio. Os voos para a Venezuela foram retomados em fevereiro de 2025, após um hiato de 13 meses.

Ela descreveu o momento do tremor enquanto estava em seu quarto, no segundo andar do hotel, com outras 16 mulheres. "Comecei a ouvir 'papa, papa papapa', e vi as mulheres ao meu lado começarem a cair", relatou, referindo-se aos sons do colapso. "Todas gritavam por socorro." Um segundo terremoto mais forte seguiu logo em seguida, que a soterrou parcialmente, mas o deslocamento dos escombros permitiu sua fuga, apesar de ferimentos.

O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE) não comentou o caso até o momento. Um vídeo divulgado pelo governo venezuelano mostra os deportados sendo recebidos em Caracas. Jenny Rodriguez, de 24 anos, que também estava no voo e no hotel, contou à Telemundo que se salvou ao conseguir segurar a calça de outro deportado que passava e implorar por ajuda. Liliana Rojas, por sua vez, busca informações sobre seu companheiro, que foi deportado de El Paso, no Texas, mas cujo paradeiro é desconhecido.

Após conseguir contato com o marido, que a ajudou a reencontrar os filhos, Portillo declarou: "Eu nasci de novo; Deus me deu uma segunda chance. Estou traumatizada." Ela viveu no sul da Flórida por mais de quatro anos.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário