MAIO LARANJA ALERTA
Maio Laranja alerta contra violência sexual infantil: quebra do silêncio começa em casa
Especialistas reforçam que a educação preventiva e a criação de vínculos de confiança são essenciais para identificar e combater o abuso sexual contra crianças e adolescentes no Brasil.
A campanha Maio Laranja, dedicada à conscientização e combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil, reforça a urgência de abordar uma violência muitas vezes silenciosa, que frequentemente ocorre em ambientes familiares ou com pessoas próximas da vítima. A data nacional de mobilização, 18 de maio, serve como um lembrete da importância da proteção integral à infância e adolescência.
Dados alarmantes evidenciam a gravidade do problema no Brasil. Segundo um levantamento divulgado em 2025, mais de quatro meninas são estupradas por hora no país, com 76% dos casos de abuso contra vulneráveis ocorrendo no ambiente doméstico. Entre janeiro e abril de 2023, o canal Disque 100 registrou mais de 17,5 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes, números que sublinham a necessidade de ações contínuas.

Para Kennya Gralha, educadora parental e especialista em proteção infantil, o combate efetivo à violência sexual contra menores passa pela informação e pelo fortalecimento dos laços familiares. Ela explica que o abuso frequentemente se manifesta em contextos de manipulação, segredo e medo. "É essencial que pais e responsáveis construam uma relação de confiança com seus filhos, para que a criança saiba que pode falar e será acolhida", afirma Kennya. Esta abordagem humanizada visa garantir que a dignidade das crianças seja preservada através do diálogo aberto e seguro.
Mudanças abruptas no comportamento infantil podem ser sinais de alerta para situações de violência. A especialista aponta para o isolamento repentino, medo excessivo de pessoas ou locais específicos, regressões comportamentais, agressividade, tristeza persistente, distúrbios do sono e sexualização inadequada para a idade. "Muitas crianças não conseguem verbalizar o que estão vivendo. Elas comunicam pela mudança de comportamento. Por isso, os adultos precisam observar, ouvir sem julgamento e agir com responsabilidade", ressalta Kennya, enfatizando o impacto direto na saúde mental e bem-estar dos jovens.
A educação preventiva em casa é fundamental, com conversas adequadas à faixa etária sobre limites corporais, consentimento e segurança. "Ensinar que o corpo pertence à criança, que ninguém pode tocar sem permissão e que segredos que causam medo precisam ser contados é uma forma poderosa de proteção", defende a educadora. Essas orientações visam empoderar a criança, garantindo seu direito à integridade física e emocional.
Em caso de suspeita ou confirmação de abuso, a denúncia imediata pelo Disque 100, Conselho Tutelar ou autoridades policiais é a ação recomendada. O silêncio perpetua o ciclo de violência. Ao denunciar, um adulto pode interromper abusos e proteger uma infância, resguardando a dignidade humana e o futuro de crianças e adolescentes.
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