SAÚDE & BEM-ESTAR

Mães lideram busca por cannabis medicinal no Brasil

Mulher segurando frasco de medicamento à base de cannabis
Imagem de capa: Mulher segura frasco de medicamento à base de cannabis, símbolo de esperança para muitas mães.

Levantamento inédito do Blis revela que mais de 60% das mães buscam o tratamento. Dor crônica, ansiedade e sono são principais queixas.

Um levantamento inédito do aplicativo Blis, divulgado nesta sábado, 16 de maio de 2026, mostra que mais de 60% das mães no Brasil recorrem à cannabis medicinal para aliviar dores crônicas, ansiedade e problemas de sono. A pesquisa, que ouviu 7.092 pacientes em 989 municípios brasileiros, revela a dimensão de uma busca por qualidade de vida e bem-estar, destacando como milhares de mulheres encontram no tratamento uma esperança para retomar a dignidade e a funcionalidade em seu dia a dia, e impulsionando um debate urgente sobre acesso e políticas públicas.

Mulher segurando frasco de medicamento à base de cannabis

Essas condições, que comprometem severamente a rotina e o bem-estar, aparecem como as principais queixas: 28,9% das mulheres relatam problemas de sono, 16,3% buscam alívio para dores crônicas e 14,9% enfrentam quadros de ansiedade. Juntas, essas demandas representam 60,1% do total de queixas registradas pelas usuárias, evidenciando um cenário de sofrimento silencioso que afeta a capacidade dessas mães de viver plenamente.

A maioria dos pacientes, 73%, opta por combinar a cannabis com remédios alopáticos tradicionais. Contudo, os idealizadores da plataforma Blis ressaltam que os dados apresentados têm caráter estritamente descritivo, sem a finalidade de atestar ou inferir conclusões definitivas sobre a eficácia clínica das substâncias.

Um dado da Unifesp corrobora a crescente aceitação: o consumo de cannabis por mulheres com 14 anos ou mais triplicou no Brasil entre 2012 e 2023. Enquanto em 2012 apenas três em cada 100 mulheres adultas utilizavam cannabis, em 2023 essa proporção saltou para 11 em cada 100, indicando uma mudança significativa na percepção e busca por alternativas de tratamento.

É notável que 50,6% das entrevistadas declararam não ter tido contato prévio com a planta antes de iniciar o tratamento terapêutico, demonstrando que a necessidade de alívio e a busca por qualidade de vida superam estigmas. A faixa etária de 45 a 64 anos concentra a maior parte do grupo avaliado, com 55,4% dos casos, seguida por idosas com mais de 65 anos, que representam 16,3%, reforçando que a busca pelo tratamento não é restrita a um perfil jovem.

A análise geográfica revela que a maior parte dos registros está no Sudeste, com 61,6% das ocorrências, e no Sul, com 19,7%. O perfil socioeconômico das pacientes aponta que 79,9% possuem ocupação profissional remunerada e 75,1% praticam atividades físicas regularmente, desenhando o retrato de mulheres ativas que, apesar de suas rotinas, buscam na cannabis medicinal uma ferramenta para manter seu bem-estar.

Os idealizadores da plataforma Blis esperam que estes dados ajudem a moldar novas políticas públicas para o setor, especialmente frente a um mercado em expansão. O Anuário da cannabis medicinal 2025 estima 873 mil indivíduos ativos buscando esses tratamentos no Brasil. A íntegra do anuário, em formato PDF e com 104 MB, está disponível para consulta.

Para acessar legalmente a cannabis medicinal no Brasil, é indispensável a apresentação de receita médica, seguindo as diretrizes rigorosas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O fornecimento é feito por importações individuais, aquisições em farmácias credenciadas ou através de associações que possuam autorização judicial, garantindo um caminho regulamentado para o acesso ao tratamento.

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