SOBERANIA EM JOGO

Lula tenta frear EUA em classificação de facções

Lula e Trump apertam as mãos durante reunião diplomática.
O presidente Lula e o presidente Donald Trump se encontrarão em Washington para discutir a classificação de facções criminosas brasileiras.

Decisão do Departamento de Estado dos EUA pode gerar sanções e intervenção militar. Encontro com Trump acontece nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026.

Em um movimento diplomático crucial para o Brasil, o presidente Lula (PT) embarcará para Washington para um encontro de alto nível com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026. A pauta central: convencer o governo norte-americano a não classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como grupos terroristas. A decisão iminente do Departamento de Estado dos EUA levanta sérias preocupações no Palácio do Planalto, que teme as consequências drásticas para a soberania nacional, incluindo a possibilidade de sanções econômicas, restrições de vistos e, em cenários extremos, até mesmo operações militares em solo brasileiro, afetando a dignidade e a segurança dos cidadãos.

O avanço da pressão americana

A discussão sobre a designação de grupos criminosos brasileiros como terroristas ganhou força em março de 2026, quando o jornal The New York Times noticiou que o governo dos EUA se preparava para tal classificação. Essa possibilidade já era ventilada desde 2025, período em que a gestão Trump intensificou sua ofensiva contra cartéis de drogas latino-americanos. Para a Casa Branca, o combate ao tráfico é um assunto de segurança nacional, o que levou à reunião de líderes da América Latina para debater o tema e a operações no Pacífico e Caribe, culminando inclusive na captura do ditador Nicolás Maduro durante uma ação militar na Venezuela.

Fontes ligadas ao governo Trump no Brasil indicam que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defende veementemente que facções brasileiras recebam o mesmo status já dado a grupos do México e da Venezuela. No início de março de 2026, Rubio comunicou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, sobre a intenção de Washington. Em resposta, Vieira buscou, em uma ligação, persuadi-lo a não prosseguir com a proposta. Contudo, em abril de 2026, o The New York Times reafirmou que a proposta ganhava força no Departamento de Estado, com o apoio e pressão de filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre integrantes da Casa Branca.

A contra-ofensiva diplomática do Brasil

Agora, a delicada questão retorna à mesa de negociações no encontro entre Lula e Trump. Uma apuração do jornalista Gerson Camarotti, publicada pelo g1, revela a estratégia do presidente brasileiro: convencer Trump a recuar da classificação. Auxiliares do presidente Lula informam que ele pretende sublinhar que o Brasil prioriza o combate ao crime organizado e aposta na cooperação bilateral como a via mais eficaz para enfrentar o problema.

No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a designação como grupo terrorista por parte dos EUA abriria uma perigosa margem para ações muito mais severas. Em um cenário extremo, os norte-americanos poderiam utilizar esse argumento para justificar uma operação militar em solo brasileiro, um precedente preocupante que já ocorreu em outras nações. Nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, em entrevista à GloboNews, o vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou a importância de um “trabalho importante no combate ao crime organizado transnacional” entre Brasil e Estados Unidos, confirmando a centralidade do tema na agenda de Lula.

Divergências legais e riscos

A pressão americana não é recente. Em maio de 2025, David Gamble, chefe interino de coordenação do Departamento de Sanções dos Estados Unidos, já havia solicitado que o governo brasileiro classificasse o PCC e o CV como terroristas, pedido que foi negado na ocasião. A Lei Antiterrorismo, sancionada no Brasil em 2016, estabelece critérios claros: atos terroristas são motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião, visando provocar terror social. Em reunião no Ministério da Justiça, o promotor Sarrubbo explicou que as organizações criminosas brasileiras, ao contrário, buscam lucro por meio de crimes e lavagem de dinheiro, sem motivações ideológicas, políticas ou religiosas para derrubar o sistema. Assim, pela legislação interna, são organizações criminosas, e não terroristas.

Nos Estados Unidos, no entanto, a perspectiva pode ser diferente, especialmente quando se trata de organizações estrangeiras. Reportagens do The Wall Street Journal já identificaram membros do PCC atuando em território americano, com registros em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. No ano anterior, em 2025, o gabinete do procurador federal em Massachusetts anunciou acusações contra 18 brasileiros supostamente ligados ao grupo. O fato de o PCC ser considerado o maior grupo criminoso das Américas, com presença em cerca de 30 países e mais de 40 mil membros, pode influenciar significativamente a avaliação norte-americana.

O processo de classificação e suas consequências

Para que uma organização receba a designação de terrorista pelo Departamento de Estado dos EUA, três condições são essenciais: ser estrangeira, estar envolvida ou ter capacidade e intenção de realizar atividade terrorista, e representar ameaça à segurança de cidadãos ou à segurança nacional dos EUA. A decisão final cabe ao secretário de Estado, após consulta aos Departamentos de Justiça e do Tesouro. Em seguida, a medida é comunicada ao Congresso, que dispõe de sete dias para análise. Uma vez aprovada e publicada no registro oficial, a designação passa a valer, gerando severas consequências legais:

  • Fornecer “apoio material” ao grupo, como dinheiro, treinamento, armas ou serviços, torna-se crime nos EUA.
  • Ativos financeiros ligados à organização podem ser bloqueados, e transações, proibidas.
  • Membros do grupo podem ter vistos negados ou ser deportados do território americano.

Além disso, a designação visa isolar o grupo internacionalmente e cortar suas fontes de financiamento, impactando diretamente suas operações globais. A iminência dessa decisão dos EUA mantém o governo brasileiro em estado de alerta, buscando salvaguardar a soberania nacional e os direitos dos seus cidadãos diante de um cenário geopolítico complexo.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário