REVÉS POLÍTICO

Lula sofre derrota com veto a Messias no Senado

Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, visivelmente surpreso, bate na mesa e abraça o senador Jaques Wagner após a votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, reage e abraça o líder do governo, Jaques Wagner, após o anúncio da rejeição de Jorge Messias ao STF.

Advogado-geral da União não alcança 41 votos necessários e presidente terá que enviar novo nome ao STF.

A indicação de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada pelo Senado Federal nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026. A decisão, que surpreendeu aliados do governo, ocorreu após votação secreta no Plenário, onde Messias não obteve os 41 votos necessários para sua aprovação. Este revés obriga o presidente Lula a buscar um novo nome para a Suprema Corte, evidenciando a crescente polarização política e o desafio do governo em consolidar apoios essenciais no Congresso.

Com um placar de 42 votos contrários à indicação, 34 favoráveis e uma abstenção, o Senado sepultou a nomeação do atual advogado-geral da União. A votação secreta, que exige maioria absoluta dos 81 senadores, frustrou as expectativas do Executivo e gerou um clima de tensão nos corredores do Senado. A notícia da rejeição provocou uma reação efusiva do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que bateu na mesa, atirou o microfone e abraçou o líder do governo, senador Jaques Wagner (PT-BA), logo após o anúncio do resultado.

O senador Jaques Wagner expressou surpresa com a derrota governista. "Para mim foi uma surpresa, [imaginava] 45, 44 [votos]. Mas cada um vota com a sua consciência", declarou o parlamentar ao deixar o Plenário, admitindo não saber a que atribuir o resultado e evitando adjetivar a postura dos senadores. Com a rejeição definitiva, a indicação de Messias foi oficialmente arquivada. Agora, o presidente Lula deverá apresentar um novo candidato para preencher a vaga aberta pela aposentadoria de Luis Roberto Barroso, e este nome passará por todo o processo de sabatina e votação novamente no Senado Federal.

Mais cedo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado havia aprovado a indicação de Jorge Messias por 16 votos a 11. Durante a sabatina na CCJ, Messias reforçou sua posição contrária ao aborto e teceu críticas a decisões individuais do STF, argumentando que elas podem diminuir a dimensão institucional da Suprema Corte. Apesar da aprovação na comissão, o Plenário da Casa não endossou o nome.

A reação do governo não tardou. Em uma rede social, um ministro criticou duramente o resultado: "A aliança entre bolsonarismo e chantagem política venceu na rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF. O Senado sai menor desse episódio lamentável". O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, atribuiu a derrota à "pressão do processo eleitoral" e confirmou que Lula fará uma nova indicação. Randolfe, no entanto, descartou qualquer papel do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no resultado. "Era natural que a votação fosse apertada em qualquer tipo de indicação. Essa é a circunstância do Senado atualmente, diante dessa polarização e sobretudo pelo processo eleitoral", concluiu o líder governista.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário