MEMÓRIA E REAÇÃO
Lula Sanciona Lei e Retoma Críticas a Bolsonaro
Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 é instituído. Presidente usa o ato para reavivar embate político contra gestão anterior.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026. A decisão, tomada em cerimônia no Palácio do Planalto, busca eternizar a memória de cerca de 700 mil brasileiros que perderam suas vidas para a doença, marcando a data de 12 de março de 2020, quando Rosana Aparecida Urbano se tornou a primeira vítima fatal no País. Contudo, o evento serviu também de palco para o presidente resgatar duras críticas à gestão de Jair Bolsonaro durante a pandemia, transformando a homenagem em um claro embate político, com potencial impacto na disputa presidencial de 2026.
A instituição do Dia Nacional, celebrado anualmente em 12 de março, não apenas formaliza um período de luto e reflexão, mas também serve como um lembrete doloroso de uma das maiores tragédias sanitárias da história recente do Brasil. A data marca o início de uma jornada de dor e incertezas para milhões de famílias, que testemunharam entes queridos serem levados por uma doença contra a qual o governo da época, segundo as críticas, falhou em oferecer respostas eficazes e empáticas.
Durante o evento, Lula destacou a conduta do ex-presidente Jair Bolsonaro, marcada pela minimização da doença, pela demora na aquisição de vacinas e pela defesa de tratamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina. Para fortalecer essa narrativa, o presidente exibiu um documento intitulado “Gestão Bolsonaro e a pandemia de Covid-19”, incentivando seus apoiadores a utilizarem o material no cenário político. “É importante que cada militante tenha isso aqui na mão, porque aqui tem tudo o que foi a desgraça que eles falaram durante dois anos de pandemia”, declarou o presidente.
O presidente também reforçou suas censuras a médicos e entidades que propagaram a desinformação e tratamentos ineficazes durante a crise, afirmando que "se a gente não der nome aos bois, esses cidadãos vão transitar pelas ruas como se fossem seres humanos que tivessem um mínimo de sentimento como humanista”. Além disso, referiu-se ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, como “fujão”, criticando sua atuação nos Estados Unidos em oposição à atual administração.
Sobre o relatório apresentado, inicialmente atribuído ao Ministério da Saúde, o ministro Alexandre Padilha esclareceu que o material foi elaborado por ele em caráter pessoal, sem utilizar a estrutura da pasta. Questionado por jornalistas sobre o viés político do documento, Padilha minimizou a questão, enfatizando que o presidente apenas recomendou a leitura do texto, sem ordenar sua distribuição governamental.
A abordagem do governo Lula sinaliza uma estratégia clara para as eleições de 2026: reforçar a popularidade da atual gestão por meio da comparação direta com o governo anterior. O Palácio do Planalto busca explorar a elevada rejeição do ex-presidente Bolsonaro, apresentando os resultados de sua administração como superiores e mais alinhados às necessidades da população.
Aliados também adotam essa linha de discurso. O ex-ministro Fernando Haddad, por exemplo, passou a se referir ao senador Flávio Bolsonaro como “Bolsonarinho”, buscando associar o filho do ex-presidente à mesma resistência eleitoral enfrentada por seu pai, intensificando a estratégia de desconstrução da imagem do clã político.
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