ALÍVIO NO BOLSO

Lula revoga 'taxa das blusinhas' em decisão que alivia consumo popular

Lula assinando MP que revoga 'taxa das blusinhas' para compras internacionais.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina medida provisória que revoga a 'taxa das blusinhas' no Palácio do Planalto.

Medida provisória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva retira tributo federal de 20% sobre compras de até US$ 50; ICMS estadual permanece. Decisão visa consumo popular.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, uma medida provisória crucial que revoga a cobrança do imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50, amplamente conhecido como “taxa das blusinhas”. Esta decisão, que entra em vigor imediatamente, representa uma resposta direta às crescentes demandas populares por alívio tributário e visa impactar positivamente o poder de compra de milhares de brasileiros, especialmente os consumidores de produtos de baixo valor em plataformas estrangeiras, garantindo mais acesso e equidade social.

A revogação deste tributo de 20%, instituído em 2024 pelo Congresso Nacional, oferece um fôlego financeiro para as famílias, que agora verão uma redução nos custos de aquisição de produtos importados via plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. Embora o ICMS estadual, entre 17% e 20%, permaneça, a supressão da taxa federal significa um alívio concreto no orçamento de quem busca alternativas mais acessíveis no mercado global.

Durante o anúncio, o secretário especial de Orçamento, Bruno Moretti, enfatizou o caráter social da medida. “O que importa mesmo, presidente, é que são produtos de consumo popular. Os números mostram que a maior parte das compras é de pequeno valor, então o senhor está fazendo é retirar impostos federais do consumo popular, das pessoas mais pobres, melhorando o perfil da nossa tributação”, declarou Moretti, destacando o impacto direto na vida dos cidadãos.

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, também desmistificou o apelido “taxa das blusinhas”, que, segundo ela, incorre em uma leitura equivocada. “Muitos falam da taxa das blusinhas, que embute duas informações incorretas. A primeira, Janja, parece que é só mulher que compra nesses sites e não é verdade. Tem muita criança que acaba pegando pequenos selinhos, canetinhas etc., mas também homem que compra um monte de capa de celular etc. Essa é uma questão que a Janja está aqui pedindo pra reforçar”, observou, ressaltando que o impacto da taxa era muito mais abrangente e diversificado.

A decisão chega em um momento politicamente estratégico, a cinco meses da disputa presidencial, e reflete as intensas críticas que a cobrança vinha recebendo nas redes sociais e entre os consumidores. A medida provisória, embora já em vigor, ainda necessitará de aprovação do Congresso Nacional para se tornar lei definitiva, o que promete gerar debates importantes sobre a sustentabilidade fiscal e a proteção da indústria nacional.

Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, a tributação arrecadou R$ 1,7 bilhão entre janeiro e abril deste ano. O diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana, estimava uma arrecadação entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões em 2026 caso a cobrança fosse mantida. Pestana pontuou que a alta do petróleo, impulsionada por tensões entre Estados Unidos e Irã, beneficiou o governo, abrindo espaço fiscal para esta renúncia sem desestabilizar os subsídios aos combustíveis fósseis.

A revogação expôs notáveis divergências no governo federal. Enquanto figuras da ala política do Planalto, como Guilherme Boulos, José Guimarães e a ex-ministra Gleisi Hoffmann, apoiavam o fim da cobrança e estiveram presentes na cerimônia de assinatura, setores ligados ao desenvolvimento industrial defendiam sua manutenção. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, por exemplo, via na taxa uma forma de proteger a indústria brasileira da concorrência internacional. O ministro Márcio Elias Rosa e o vice-presidente Geraldo Alckmin acompanharam a assinatura da medida, evidenciando a complexidade do tema.

O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, confirmou a participação da equipe econômica na elaboração da medida, mas optou por não antecipar o impacto fiscal da renúncia tributária antes de uma reunião com o presidente Lula no Palácio do Planalto.

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