GOVERNO ATUA EM CRISE

Lula revela batalhas diárias para baixar preço da gasolina e mira fiscalização

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Magda Chambriard, CEO da Petrobras
Magda Chambriard e Lula na cerimônia de posse da executiva como CEO da Petrobras nesta 4ª feira (19.abr.2024)

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que negocia com estados e intensifica fiscalização contra aumentos considerados abusivos. Medidas anteriores já haviam reduzido diesel e ICMS.

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, que trabalha "todo santo dia" para reduzir o preço da gasolina e blindar os brasileiros dos efeitos da crise internacional. Em entrevista à EBC (Empresa Brasil de Comunicação), Lula associou a pressão sobre os combustíveis à escalada do conflito no Oriente Médio e indicou que o governo estuda novas ações para frear reajustes.

Segundo o Presidente, o Executivo promoveu reuniões imediatas após o agravamento da crise no Oriente Médio com o objetivo de encontrar alternativas para evitar elevações nos preços dos postos. "Eu brigo todo santo dia para o preço da gasolina abaixar", declarou.

Durante a entrevista, Lula detalhou que acompanha pessoalmente os preços do diesel, da gasolina e do etanol. Ele mencionou conversas com a Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, especificamente sobre o valor do etanol no Rio de Janeiro.

O Presidente sinalizou a intenção de intensificar a fiscalização sobre os preços dos combustíveis. Ele afirmou que a Polícia Federal e a Agência Nacional do Petróleo deverão ampliar suas ações para investigar aumentos considerados abusivos. "Nós não temos por que aumentar o preço", ressaltou.

Em março, o governo federal zerou a cobrança de PIS/Cofins sobre o diesel, implementou um subsídio temporário ao combustível e estabeleceu uma taxa de 12% sobre exportações de petróleo como medidas para mitigar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços domésticos.

De acordo com Lula, a arrecadação gerada pela taxa sobre exportações será destinada a compensar reajustes e minimizar impactos para caminhoneiros, taxistas e motoristas de aplicativo. "Nós vamos cobrar imposto da exportação de petróleo porque as petroleiras estão ganhando muito dinheiro com o preço subindo", explicou.

O Presidente também revelou ter negociado com governadores medidas relacionadas ao ICMS sobre combustíveis. Ele indicou que a União discutiu a possibilidade de oferecer compensações financeiras aos Estados para auxiliar na redução da tributação.

Desde o início do mandato, o governo federal tem adotado uma série de ações para tentar conter a pressão sobre os preços dos combustíveis. Em 2023, a Petrobras encerrou a política de paridade internacional, que alinhava os preços internos às flutuações do dólar e do petróleo no mercado externo, adotada na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A partir de então, a estatal promoveu cortes consecutivos no preço do diesel comercializado para as distribuidoras. O governo também aumentou a proporção obrigatória de biodiesel e etanol na composição dos combustíveis, buscando reduzir a dependência externa e suavizar oscilações internacionais.

Lula voltou a criticar a privatização da antiga BR Distribuidora, atualmente Vibra Energia, argumentando que a venda reduziu a capacidade de intervenção do governo no setor.

"Se ele não tivesse privatizado a BR, a gente teria como controlar", afirmou.

O Presidente também direcionou críticas a distribuidoras e órgãos reguladores, sugerindo que parte do setor mantém preços elevados mesmo sem justificativas ligadas aos custos internacionais. "Tem distribuidora que não respeitou", concluiu.

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