DECISÃO SOBRE SOBERANIA

Lula rebate Trump e exige fim da interferência dos EUA nas eleições brasileiras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma entrevista coletiva.
Lula durante entrevista coletiva em Genebra.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva reage a declarações de Donald Trump e defende a autonomia do processo eleitoral brasileiro, alertando para a importância do respeito mútuo entre nações.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu, nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a política brasileira. Durante entrevista coletiva na embaixada do Brasil em Genebra, Lula afirmou que o processo eleitoral do País deve ser tratado exclusivamente pelos brasileiros e pediu que o americano não interfira nas eleições nacionais. “As eleições do Brasil são um problema do Brasil. Como as eleições americanas são um problema dele. Não é um problema meu”, declarou o presidente, reforçando o recado: “Não se meta nas eleições do Brasil”. Lula respondeu às afirmações de Trump, que classificou a situação política brasileira como perigosa e fez referências equivocadas à família Bolsonaro. O presidente brasileiro também expressou o desejo de que o americano “não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas”. Questionado sobre a pouca interação entre os dois líderes durante a cúpula do G7, Lula descreveu a postura de Trump em relação ao Brasil como “desaforada” e afirmou que o presidente americano se comporta “como imperador”. Apesar disso, o presidente negou a existência de um rompimento diplomático entre os dois países. De acordo com Lula, a ausência de uma reunião bilateral ocorreu porque as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos ainda estão em andamento. “Eu não pedi bilateral para o Trump porque nós estamos em negociação”, explicou, citando conversas conduzidas pelo chanceler Mauro Vieira com o secretário de Estado americano e pelo ministro Márcio Elias Rosa com representantes do governo dos Estados Unidos. O presidente revelou ainda que entregou pessoalmente quatro documentos a Trump durante a cúpula. Os textos abordavam o combate ao crime organizado, as terras raras e minerais críticos, o comércio bilateral e o acordo firmado entre Brasil, Turquia e Irã em 2010 sobre o programa nuclear iraniano. Segundo Lula, a decisão de entregar os documentos por escrito visou evitar distorções. “Eu fiz questão de entregar por escrito, porque agora, quando eu converso com uma pessoa que fala mais do que ouve, eu faço questão de entregar por escrito para as pessoas não esquecerem o que eu entreguei”, justificou. Ao comentar o documento sobre segurança pública, Lula mencionou que aproveitou o encontro para contestar a decisão do governo americano de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida anunciada na semana anterior pelo secretário de Estado Marco Rubio. “Eu fiquei surpreso quando a semana passada recebo a notícia da punição, inclusive colocando as facções criminosas como terroristas”, declarou. Em seguida, argumentou que essas organizações possuem natureza distinta da definição adotada pelos Estados Unidos. “Essas ações criminosas são terroristas para o povo brasileiro. Não são terroristas como você pensa, eles não querem brigar e derrotar o Estado, eles não querem criar um outro Estado, eles querem dinheiro. Então é diferente.” Lula também cobrou maior cooperação dos Estados Unidos no combate ao tráfico internacional de armas e à lavagem de dinheiro relacionada ao crime organizado brasileiro. “Todas as armas que a Polícia Federal apreende no Brasil vêm de Miami. E o Estado de Delaware faz lavagem de dinheiro de bandidos brasileiros”, afirmou, sem detalhar a origem das informações. O presidente defendeu ainda o sistema eleitoral brasileiro e destacou a rapidez da apuração das urnas eletrônicas. “Não tem país no mundo que tem um sistema de urna eletrônica em que, duas horas após terminar as eleições, a gente já sabe o resultado em 27 estados da Federação”, concluiu.

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