LUTA ANTICORRUPÇÃO
Lula e Trump debatem sonegação bilionária no Brasil
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva leva caso Refit à Casa Branca; empresário Ricardo Magro é alvo.
O combate a esquemas bilionários de sonegação de impostos no Brasil alcança as mais altas esferas diplomáticas. Nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se encontram na Casa Branca, em Washington, com a expectativa de que o caso Refit, um dos maiores escândalos fiscais do país, seja um dos temas centrais. A pauta tem como objetivo discutir o enfrentamento à corrupção no setor de combustíveis, mirando diretamente em grandes promotores de fraudes que drenam recursos essenciais da sociedade.
Fontes próximas à delegação brasileira indicam que Lula pretende abordar, ainda que sem citação nominal explícita, a figura de Ricardo Magro. O empresário é o dono da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, e é investigado pelas autoridades brasileiras como o maior devedor de impostos do Brasil.
Magro é apontado como o principal sonegador de ICMS do Estado de São Paulo, com estimativas de que, apenas com a Refit, ele teria causado um prejuízo de R$ 26 bilhões aos cofres públicos. Esse valor astronômico representa um rombo direto no financiamento de serviços básicos como saúde, educação e segurança para milhões de cidadãos.
A importância do tema foi reforçada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, na terça-feira, 05 de maio de 2026, Alckmin confirmou que a luta contra a corrupção no setor de combustíveis seria discutida por Lula no encontro com Trump.
"Pela primeira vez, no caso do combustível, além de pegar a ponta do crime organizado, estamos indo em cima dos grandes promotores desse crime, envolvendo refinaria, importação de produtos, navio, comércio exterior", declarou Alckmin.
Questionado especificamente sobre uma menção a Ricardo Magro, Alckmin foi enfático: "Não tenha dúvida que, sem estar personalizando, essa é uma área gravíssima, em que pessoas foram presas, bens bloqueados e se salvou o setor de combustível no Brasil, que estava totalmente dominado por grupos econômicos que só trabalhavam para sonegar." A fala sublinha a dimensão sistêmica do problema e o impacto na economia nacional.
Quem é Ricardo Magro?
Ricardo Magro, de 51 anos, é uma figura controversa e proeminente no mercado de combustíveis brasileiro. Advogado e empresário, ele comanda a antiga Refinaria de Manguinhos, hoje conhecida como Refit. A empresa tem sido alvo de diversas investigações tributárias e disputas com distribuidoras e órgãos de fiscalização ao longo dos últimos anos.
Nascido em São Paulo, o empresário ganhou projeção no Rio de Janeiro e, desde 2016, reside em uma área nobre de Miami, nos Estados Unidos. Magro é formado em Direito pela Universidade Paulista (Unip), com pós-graduação em direito tributário, e lidera o grupo Refit desde 2008.
Seu nome foi associado a diferentes etapas da Operação Carbono Oculto, uma investigação que apura a presença da organização criminosa PCC no mercado de combustíveis e que já alcançou a Avenida Faria Lima, um dos principais centros financeiros de São Paulo.
Em julho de 2024, o Ministério Público de São Paulo apontou a Refit como uma das empresas envolvidas em complexos esquemas de sonegação e adulteração de bombas de combustíveis.
Atualmente, a Refit encontra-se em recuperação judicial, um processo que demonstra a complexidade e os desafios financeiros enfrentados pela companhia em meio a tantas controvérsias.
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