VOZ DA MEMÓRIA
Lula critica inação na pandemia ao sancionar lei
Presidente cobra sindicatos e entidades médicas por silêncio durante crise sanitária e pede responsabilização.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), trouxe à tona uma crítica incisiva nesta segunda-feira, 11/05/2026, ao lamentar o silêncio de sindicatos e entidades médicas durante o ápice da pandemia da Covid-19. Em um evento carregado de significado, onde sancionou a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, o mandatário sublinhou a importância de uma voz ativa da sociedade civil. Para ele, a ausência de manifestações contundentes naquele período crítico contribuiu para um "sacrifício desnecessário" de vidas, um drama que ceifou milhares de brasileiros e representa uma das maiores tragédias sanitárias da história do Brasil.
Ao abordar a inação percebida, Lula não poupou palavras: "Muita gente se calou. Os sindicatos não foram para cima, as entidades médicas não foram para cima, tinha entidade importante do Brasil que não falou nada", disse em seu discurso. Esta omissão, segundo o presidente, impede que a sociedade desenvolva a resiliência e a capacidade de se levantar contra futuros "abusos", comprometendo a dignidade e a segurança do povo.
O chefe de Estado enfatizou a gravidade da crise sanitária, comparando o número de mortes causadas pela Covid-19 a "mais morte do que aconteceram no mundo, muitas guerras". Para Lula, é um dever moral e cívico garantir que as responsabilidades sejam devidamente atribuídas. "O que nós temos que fazer é com que as pessoas saibam que foram os responsáveis que fortaleceram a ignorância do presidente no trato de uma pandemia como essa. Temos que dizer em alto e bom tom", afirmou, ressaltando a urgência de nomear aqueles que falharam em proteger a nação.
Em um ataque direto à gestão anterior, Lula criticou abertamente o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarando que era "composto por um monte de gente que fazia questão de se fazer ignorante e por isso levou o país a um sacrifício desnecessário". Ele defendeu que sem essa identificação clara, "as pessoas não são reconhecidas", referindo-se à necessidade de honrar a memória das vítimas através da responsabilização.
Relembrando sua postura durante a pandemia, o presidente reforçou a ideia de que a inação e a irresponsabilidade da época configuraram um crime contra a humanidade. "Na época eu dizia que era preciso levar justiça, que a OMS (Organização Mundial da Saúde) precisava levar o Bolsonaro na Justiça como um cara que cometeu um crime contra a humanidade", concluiu Lula, reiterando seu apelo por justiça e por um futuro onde a saúde pública e a vida humana sejam inequivocamente priorizadas.
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