DIPLOMACIA EM FOCO
Lula cobra Trump por sanções a autoridades brasileiras
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou lista de 20 nomes afetados por medidas americanas, que incluem revogação de vistos e bloqueio de bens de ministros do STF e familiares.
Em uma iniciativa diplomática crucial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregou ao presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), uma lista de cerca de 20 autoridades brasileiras afetadas por sanções americanas, cobrando uma resolução para o impasse. O encontro aconteceu nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, na Casa Branca, em Washington. A ação de Lula visa reverter medidas que revogaram vistos e congelaram bens de ministros do Supremo Tribunal Federal, membros do Ministério Público e até familiares, impactando profundamente a vida pessoal e profissional dos envolvidos e tensionando as relações entre os dois países.
A ofensiva americana, que começou em 18 de julho de 2025, visou inicialmente autoridades de alto escalão. O secretário de Estado Marco Rubio anunciou a revogação do visto do ministro Alexandre de Moraes e de seus aliados no Supremo Tribunal Federal. Sete ministros da corte — Barroso, Dino, Gilmar Mendes, Toffoli, Zanin, Cármen Lúcia e Fachin — tiveram seus vistos afetados. Moraes foi o único a receber também as sanções da Lei Magnitsky, que implicaram o bloqueio de ativos, apesar de nunca ter renovado o visto norte-americano.
Na mesma leva de punições, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, também perderam seus vistos. Auxiliares de Moraes, tanto no STF quanto no TSE, foram igualmente impactados pelas restrições de viagem impostas pelos Estados Unidos, que afetam a dignidade e a liberdade de movimentação desses indivíduos e suas famílias.
Lula, ao comentar a situação, expressou seu repúdio à amplitude das sanções. “São os ministros da Suprema Corte, o procurador-geral da República, a filha do Padilha de 10 anos. Qual é a lógica? De qualquer forma, eu entreguei para ele. Se ele não resolver, quando eu me encontrar com ele outra vez, eu entrego outra vez”, declarou o presidente a jornalistas após a reunião com Trump. A menção à filha de dez anos de Padilha sublinha o impacto pessoal e muitas vezes indiscriminado das medidas.
Em agosto de 2025, o Departamento de Estado expandiu as revogações de vistos, atingindo Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, coordenador-geral da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica) para a COP30. Ambos foram acusados de “cumplicidade” com o programa Mais Médicos por envolver médicos cubanos, uma acusação que muitos consideram política e prejudicial à cooperação internacional.
Outros nomes circularam como possíveis alvos. O jornalista Paulo Figueiredo, com acesso ao governo Trump, afirmou em agosto de 2025 que os vistos do ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e do senador Rodrigo Pacheco também foram revogados. Contudo, ambos negaram ter recebido comunicação oficial dos EUA, o que gerou incerteza e especulação sobre a extensão das sanções.
Em setembro de 2025, uma nova rodada de sanções via Lei Magnitsky atingiu diretamente a esposa de Moraes, Viviane Barci, e seus filhos, além do ministro do STJ Benedito Gonçalves e do ex-AGU José Levi. Estas medidas, ao afetar familiares diretos, elevam a tensão e demonstram a seriedade do atrito diplomático, transformando uma questão política em drama familiar.
Um primeiro recuo americano ocorreu em dezembro de 2025. O Departamento do Tesouro retirou Moraes da lista da Lei Magnitsky, após a aprovação do PL da Dosimetria na Câmara. Embora o Planalto tenha negado qualquer relação entre os eventos, a decisão trouxe um alívio pontual, mas não resolveu a totalidade das sanções impostas. Infelizmente, as demais restrições continuam em vigor, mantendo o cerco a diversas autoridades brasileiras.
O encontro em Washington também teve momentos de leveza. Lula aproveitou a oportunidade para fazer uma brincadeira sobre a Copa do Mundo de 2026 e os vistos para jogadores brasileiros. “Espero que você não anule o visto dos jogadores da seleção brasileira, pois a gente vai vir para ganhar a Copa do Mundo”, disse o presidente brasileiro, arrancando risos de Trump, segundo relato de Lula. Este pequeno interlúdio, contudo, não minimiza a gravidade das discussões sobre as sanções.
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