COBRANÇA NA FRANÇA

Lula cobra industrialização de países com minerais críticos no G7

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um pódio, falando para uma audiência.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa em evento internacional.

Presidente defende que nações com recursos estratégicos participem de etapas de maior valor agregado, como industrialização e transferência de tecnologia, e não apenas forneçam a matéria-prima bruta.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em declaração nesta terça-feira, 16/06/2026, que países detentores de minerais críticos sejam protagonistas nas etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva. A afirmação, feita durante a Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, ressalta a importância de incorporar industrialização, transferência de tecnologia e formação de capacidades nacionais nos processos que envolvem insumos estratégicos para as transições energética e digital. O objetivo é evitar a concentração de benefícios econômicos em poucos atores e garantir que as nações com reservas minerais participem ativamente de toda a cadeia de valor. A fala de Lula surge em um contexto de discussões intensificadas entre as principais economias avançadas, que buscam reduzir a dependência da China no fornecimento e processamento de insumos cruciais para tecnologias modernas. O presidente argumentou que as transições energética e digital não devem perpetuar padrões históricos de exploração, mas sim promover o desenvolvimento equitativo. Essa posição brasileira visa assegurar que o país não se limite a exportar minério bruto, mas atraia etapas de beneficiamento, refino e transformação industrial, agregando valor localmente. A estratégia brasileira é fortalecer a posição do país em negociações internacionais, alavancando suas vantagens competitivas como reservas minerais relevantes, disponibilidade de energia renovável e autonomia diplomática. A busca é por acordos que incluam investimento produtivo e processamento local, transformando minerais críticos em ferramentas de desenvolvimento industrial e diplomacia econômica. Essa diretriz já orienta a celebração de instrumentos com países como Índia, Arábia Saudita e Coreia do Sul, focados em cooperação tecnológica e cadeias produtivas de maior valor agregado. A cobrança do presidente Lula coincide com a tramitação de uma nova política nacional para minerais críticos e estratégicos no Brasil. A proposta, que avança no Senado após aprovação na Câmara dos Deputados, visa ampliar o papel do Estado na coordenação do setor, com a criação de um conselho ligado à Presidência da República e instrumentos para estimular a industrialização nacional. A iniciativa busca garantir que o Brasil capture uma fatia maior dos ganhos econômicos gerados pela transição energética, evitando a dependência externa através da exportação de commodities.

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