CRIME SEM FRONTEIRAS

Lula cobra EUA por armas e criminosos em novo plano contra o crime

Lula e Donald Trump em encontro na Casa Branca em Washington
Crédito: Felipe Frazão

Presidente lança programa "Brasil contra o Crime Organizado" e aponta lavagem de R$ 26 bilhões.

Em um movimento decisivo para a segurança pública nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confrontou o presidente americano, Donald Trump, sobre a origem de armas apreendidas no Brasil e a presença de criminosos brasileiros em solo americano. A declaração de Lula aconteceu nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, durante o lançamento do programa "Brasil contra o Crime Organizado", no Palácio do Planalto.

A iniciativa do governo federal, estruturada em quatro eixos — asfixia financeira das organizações criminosas, fortalecimento da segurança prisional, qualificação da investigação de homicídios e combate ao tráfico de armas — busca não apenas combater a criminalidade internamente, mas também pressionar por cooperação internacional. Lula enfatizou a necessidade de combater a percepção de que a "desgraça" da criminalidade reside exclusivamente no Brasil, apontando para a responsabilidade compartilhada no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

Durante seu discurso, Lula revelou ter comunicado a Trump, em encontro na semana passada em Washington, sobre a proveniência de parte do armamento apreendido no País. "Nós falamos ao presidente Trump que temos proposta de asfixia financeira, de combater a lavagem de dinheiro. Inclusive, tem um Estado nos Estados Unidos, Delaware, se não estou enganado, que tem lavagem de dinheiro de gente brasileira. Ao mesmo tempo, parte das armas que apreendemos vêm dos Estados Unidos. É importante dizer, porque se não eles passam a ideia de que a desgraça toda está do lado de cá e eles não têm nada a ver com isso", afirmou o presidente brasileiro.

Lula também pediu a extradição de brasileiros vivendo nos Estados Unidos, que o governo considera grandes chefes do crime organizado. "Eu disse ao presidente Trump: ‘Se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que entregar alguns nossos que estão morando em Miami’. É só querer discutir", relatou. A referência clara foi ao empresário e ex-advogado Ricardo Andrade Magro, líder do Grupo Refit (nome fantasia da Refinaria de Manguinhos), que reside em Miami e já foi alvo de operações conjuntas da Polícia Civil de São Paulo, Receita Federal e Ministério Público. O grupo é acusado de sonegar R$ 26 bilhões em ICMS nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e para a União, negando as acusações em novembro do ano passado, afirmando que "todos os tributos estão devidamente declarados".

A pauta da segurança pública levou o presidente a criticar o sistema de Justiça brasileiro, ecoando queixas frequentes de governadores, especialmente os de direita. Ele destacou a frustração com criminosos soltos logo após a prisão, um cenário que impacta diretamente a sensação de segurança da população. "Nós vamos ter que conversar muito com o Poder Judiciário, porque há muita queixa dos governadores, porque muitas vezes a polícia prende os bandidos, e uma semana depois esse bandido está solto. Tem gente que se queixa que tem muitos lugares a pessoa é presa, e o preso escolhe o lugar em que ele quer ficar preso", afirmou Lula.

O presidente prometeu buscar diálogo com o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional de Procuradores para abordar as questões levantadas. Esta discussão sobre a atuação do Judiciário não é nova; em março de 2025, o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, gerou controvérsia ao afirmar que a Justiça precisava soltar detentos cujas prisões foram mal conduzidas pela polícia, defendendo que "a polícia tem que prender melhor".

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