BRASIL X TARIFAS
Lula aciona Trump se tarifas não cederem; critica postura "imperial"
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva critica medida dos EUA e garante que telefonará diretamente ao líder americano se negociações falharem.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta quarta-feira, 17/06/2026, que poderá contatar diretamente Donald Trump caso as negociações sobre tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil não avancem. A afirmação ocorreu em Évian-les-Bains, na França, onde o chefe de Estado brasileiro participou de compromissos relacionados ao G7 e concedeu entrevista a repórteres.
Questionado sobre a possibilidade de uma conversa bilateral com Trump, Lula explicou que a ausência de um pedido formal se deve ao andamento das negociações. Contudo, o presidente manifestou sua insatisfação com a medida americana, comparando a postura de Trump à de um "imperador".
"Eu não pedi bilateral para o Trump porque nós estamos em negociação", afirmou Lula. "Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil. Ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como imperador. Nós estávamos fazendo acordo."
Durante a entrevista, Lula também mencionou a entrega de um documento da Polícia Federal sobre o combate ao crime organizado a Trump, durante sua visita a Washington no início de maio. O objetivo foi demonstrar a capacidade brasileira para enfrentar o crime organizado.
"Eu entreguei para ele um documento do crime organizado para mostrar que a nossa Polícia Federal está preparada para enfrentar o crime organizado. Disse para ele se ele quiser combater o crime organizado, o Brasil está muito disposto", assegurou.
O presidente detalhou que "todas as armas que a Polícia Federal apreende no Brasil vem de Miami" e que "o estado de Delaware nos EUA faz lavagem de dinheiro de bandido brasileiro". Ele enfatizou a importância de formalizar a comunicação, pois "o presidente Trump fala muito e ouve pouco". Por isso, "fiz questão de entregar para ele por escrito", pontuou.
Lula relembrou um acordo firmado entre Brasil, Irã, Índia e Turquia em 2010, sugerindo que, se Trump tivesse aceitado tal proposta, "não precisaria ter matado o [aiatolá Ali] Khamenei, não precisaria ter bombardeado o Irã".
Ao abordar a designação de facções brasileiras como "terroristas" pelo Departamento de Estado americano, o presidente esclareceu a Trump que organizações como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são consideradas terroristas pela sociedade brasileira, mas que seu principal interesse é financeiro.
"Então obviamente que eu não tinha o que conversar com [Trump], eu não tinha por que pedir bilateral, nós estamos negociando. A hora que terminar a negociação, se não der em nada, eu não tenho nenhum problema de pegar o telefone, ligar para o Trump outra vez e marcar uma outra conversa", concluiu Lula, expressando sua expectativa por uma resolução.
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