CRESCIMENTO E DESAFIOS

Leite no Rio Grande do Norte ultrapassa 1 milhão de litros diários, mas desafios persistem

Produção de leite no Rio Grande do Norte
O aumento da produção de leite no RN foi tema de debate e análise sobre os desafios futuros.

A produção diária de leite no Rio Grande do Norte superou a marca de 1 milhão de litros. Apesar da expansão, o alto custo de produção e a necessidade de modernização são os principais obstáculos para a competitividade do setor, conforme discutido em seminário realizado na Casa da Indústria, em Natal.

O Rio Grande do Norte alcançou um marco expressivo na produção de leite, ultrapassando a marca de 1 milhão de litros diários e impulsionando um novo ciclo de expansão na cadeia láctea estadual. Este avanço significativo foi o foco de um seminário promovido na Casa da Indústria, em Natal, pelo Sindileite RN, com o respaldo do Sistema Fiern. O evento reuniu produtores, representantes de indústrias, especialistas e diversas entidades ligadas ao agronegócio do leite no Estado.

Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), destacou que a atividade láctea, após um período de instabilidade, recuperou seu fôlego. Ele observou que o setor, que atingiu seu apogeu em 2010, tem experimentado um crescimento consistente nos últimos quatro anos, demonstrando um potencial que merece ser plenamente explorado.

“É um setor pujante do Estado, teve seu auge em 2010 e agora retoma. Nos últimos quatro anos, esse setor tem tido um crescimento e realmente merece avançar nesse potencial”, declarou Serquiz, ressaltando a importância econômica e social da cadeia do leite. Para ele, a atividade láctea é estratégica, pois gera emprego e renda diretamente no ambiente rural, movimentando a economia local e, fundamentalmente, atendendo a uma necessidade alimentar essencial da população.

Produção de leite no Rio Grande do Norte
O aumento da produção de leite no RN foi tema de debate e análise sobre os desafios futuros.

Apesar do cenário de expansão, o custo de produção emerge como um dos entraves mais significativos para a competitividade. Especialistas reunidos no seminário apontaram que o preço da matéria-prima no Rio Grande do Norte ainda se mantém elevado em comparação com o leite de outras regiões do Brasil e de países do Mercosul. A análise aponta que o Estado possui um mercado consumidor ávido, uma base produtiva robusta e indústrias capazes de fabricar produtos de alta qualidade. Contudo, é imperativo elevar a eficiência nas propriedades rurais.

Entre as propostas discutidas para mitigar esses desafios, destacou-se a necessidade de aproximar o conhecimento técnico especializado dos produtores, visando aumentar a produtividade por animal e, consequentemente, reduzir os custos. Além disso, defendeu-se um crescimento planejado, com responsabilidade e forte integração entre o campo e a indústria.

A força da indústria de derivados no Estado também foi evidenciada. Uma empresa sediada em Natal, por exemplo, consome cerca de 30 mil litros de leite diariamente, provenientes de diversas localidades potiguares, e produz aproximadamente 45 tipos de produtos, incluindo uma variedade de queijos, iogurtes e requeijão.

Roberto Serquiz em evento sobre a cadeia do leite no RN
Roberto Serquiz, presidente da Fiern, destacou a importância estratégica do setor leiteiro para o Rio Grande do Norte.

Durante o encontro, foi apresentado um diagnóstico inédito da cadeia produtiva e um plano de avanço industrial elaborado em colaboração com produtores, indústrias e especialistas. O estudo aponta que a inovação, a adoção de novas tecnologias, o aumento da eficiência nas propriedades e nas fábricas, além da capacitação e assistência técnica contínua, são caminhos cruciais para alcançar maior competitividade.

Entre os gargalos identificados, figuram a dificuldade em manter reservas alimentares para os animais durante os períodos de seca e a persistência da ordenha manual em muitas propriedades. Uma comparação com a região de Castro, no Paraná, onde propriedades conseguem estocar forragem (silagem e feno) para até dezoito meses, ilustrou a defasagem. No Rio Grande do Norte, a irregularidade da produção devido à escassez de chuvas ainda é um fator limitante.

A modernização da atividade também foi conectada à questão da sucessão familiar no campo. A mecanização da ordenha, por exemplo, pode aprimorar a higiene e a qualidade do leite, tornando a profissão mais atraente para os jovens que poderão dar continuidade ao negócio de suas famílias.

O Senar foi citado como um parceiro fundamental no processo de capacitação, atendendo a 1.250 produtores rurais em 83 municípios potiguares na área de pecuária leiteira. As ações da entidade focam em tecnologia, inovação e qualificação profissional. A produção leiteira no semiárido também foi abordada, com a constatação de que é possível obter leite de qualidade mesmo em regiões de clima adverso, desde que haja garantia de alimento para os rebanhos. A distribuição de palma forrageira foi mencionada como uma política essencial para a convivência com o semiárido.

Os preços praticados atualmente pelo leite, que variam entre R$ 2,82 e R$ 2,85 por litro, foram comparados com os valores de mercado, que se situam entre R$ 2,50 e R$ 2,70. O setor ainda se recupera das dificuldades enfrentadas no segundo semestre do ano anterior, marcadas pela seca. Como um impulso adicional, foi mencionada a ampliação do PAA Leite, com recursos federais, para aumentar as compras da produção local e apoiar os produtores.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário