MEIO AMBIENTE E PROTEÇÃO

Laudos revelam exposição química de peixes-bois em Porto de Pedras, AL

Peixe-boi marinho em área preservada de Alagoas.
Peixes-bois em Alagoas. — Foto: Associação Peixe-Boi Alagoas

Exames técnicos identificaram contaminantes em animais, mas conexão com mortes permanece inconclusiva; Ministério Público Federal cobra medidas rigorosas de órgãos ambientais.

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou, nesta segunda-feira, 13/07/2026, resultados de laudos técnicos sobre a morte de peixes-bois marinhos em Porto de Pedras, AL, para definir estratégias de proteção ambiental e investigar possíveis focos de contaminação na região. A análise da situação tornou-se uma prioridade para garantir a sobrevivência da espécie e a saúde do ecossistema local, após a identificação de agentes químicos e biológicos nos animais.

A investigação foi instaurada pelo MPF em 10 de julho de 2026, durante reunião com pesquisadores e autoridades, para apurar as mortes dos peixes-bois conhecidos como Netuno e Paty. O caso ganhou urgência ao revelar problemas estruturais no estuário do Rio Tatuamunha, incluindo assoreamento, descarte inadequado de resíduos, ocupação irregular de manguezais e expansão imobiliária predatória, fatores que ameaçam a dignidade da vida selvagem no litoral de Alagoas.

Técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) identificaram inflamações sistêmicas nos animais e a presença de contaminantes em tecidos e sedimentos. Embora a exposição aos agentes seja evidente, os especialistas ressaltam que, até o momento, não há comprovação científica definitiva que ligue diretamente a contaminação ao óbito dos mamíferos.

Como medida preventiva, foi recomendada a restrição imediata de atividades que revolvam o leito do Rio Tatuamunha. O MPF estabeleceu um prazo de cinco dias para que o ICMBio finalize os laudos pendentes e para que o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) apresente relatórios detalhados de fiscalizações e autos de infração. A procuradora da República Juliana Câmara reforçou que a integração entre as instituições é o único caminho para assegurar a preservação ambiental definitiva na área.

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