DECISÃO ELEITORAL

Kassio Nunes Marques marca reuniões com institutos de pesquisa e big techs para discutir regras eleitorais

Nunes Marques determina suspensão de pesquisa eleitoral após polêmica com Flávio Bolsonaro.
Nunes Marques determina suspensão de pesquisa eleitoral após polêmica com Flávio Bolsonaro.

Encontros em 14 e 16 de julho visam debater critérios para pesquisas de intenção de voto e combate a fake news. A iniciativa ocorre após polêmica com divulgação de pesquisa e busca por maior controle de conteúdo online.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, agendou para esta sexta-feira, 03/07/2026, reuniões cruciais com representantes de institutos de pesquisa e grandes empresas de tecnologia (big techs). Os encontros, previstos para 14 e 16 de julho, respectivamente, têm como objetivo primordial estabelecer regras claras para levantamentos de intenção de voto e definir estratégias eficazes para o combate à disseminação de notícias falsas (fake news) durante o período eleitoral.

A necessidade de discutir critérios para a realização e circulação de pesquisas de intenção de voto ganhou força após uma decisão de Marques suspender a divulgação de um levantamento conduzido pelo Instituto AtlasIntel em maio deste ano. Essa suspensão, comunicada no início de junho, foi levada ao plenário do TSE, onde a discussão foi momentaneamente paralisada a pedido de vista da ministra Estela Aranha, que solicitou mais tempo para análise detalhada.

Paralelamente, a agenda com as plataformas digitais se insere em um contexto de falas do presidente do TSE sobre a imperatividade da fiscalização de conteúdos irregulares que possam impactar o processo democrático nas eleições.

Pesquisa Suspensa Gerou Debate

A pesquisa suspensa, realizada em maio deste ano, indicava uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto para o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). A divulgação do levantamento ocorreu em seguida ao vazamento de conversas privadas entre o senador e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Nas mensagens, Flávio Bolsonaro solicitava recursos financeiros ao banqueiro para o financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nunes Marques determina suspensão de pesquisa eleitoral após polêmica com Flávio Bolsonaro
Nunes Marques determina suspensão de pesquisa eleitoral após polêmica com Flávio Bolsonaro.

A equipe jurídica do PL acionou o TSE, argumentando que o questionário da pesquisa direcionava negativamente os participantes, ao incluir a reprodução de um áudio da conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Na ocasião, o Instituto AtlasIntel refutou a acusação, assegurando que os resultados da pesquisa não foram influenciados indevidamente.

Ao assumir a relatoria do caso, Kassio Nunes Marques considerou haver indícios de indução que poderiam contaminar as respostas, comprometendo a metodologia do levantamento. O ministro ressaltou que o instituto não aplicou questões similares em outras 27 pesquisas realizadas anteriormente.

Em nota oficial, o instituto contestou, afirmando que a pesquisa foi conduzida sem a reprodução do áudio de Flávio Bolsonaro aos participantes durante a aplicação do questionário.

O julgamento da questão pelo plenário do TSE iniciou em 9 de junho, mas foi interrompido por um pedido de vista da ministra Estela Aranha. Durante a sessão, os ministros André Mendonça e Dias Toffoli defenderam a necessidade de o tribunal estabelecer critérios objetivos para orientar a atuação dos institutos de pesquisa, destacando a importância de clareza para assegurar a confiabilidade dos dados apresentados à sociedade.

A retomada da discussão sobre a pesquisa suspensa está condicionada à conclusão do encontro entre o presidente do TSE e os representantes das empresas de pesquisa.

Big Techs e Defesa da Democracia

O TSE, em suas resoluções eleitorais deste ano, já estabeleceu novas diretrizes para as plataformas de redes sociais, com o objetivo de intensificar o combate às fake news e a salvaguarda do Estado Democrático de Direito. Um dos pontos relevantes é a ampliação das hipóteses em que contas podem ser removidas pelas plataformas, mesmo sem determinação judicial prévia.

A Corte determinou que as empresas têm o dever de remover ou tornar indisponíveis, de imediato e sem necessidade de ordem judicial, conteúdos que se enquadrem nas seguintes categorias:

  • Divulgação de informações falsas ou sem comprovação técnica que atentem contra a integridade do sistema eletrônico de votação.
  • Incentivo a crimes contra o Estado Democrático de Direito.
  • Publicações que promovam a subversão da ordem constitucional ou a ruptura da normalidade democrática.
  • Incitação à violência política contra a mulher.

Desde sua posse no TSE, em maio deste ano, Kassio Nunes Marques tem reiterado a importância da fiscalização no decorrer das eleições. Em seu discurso de posse, ele enfatizou que a prioridade da Corte é assegurar a realização de eleições "limpas e transparentes", um pilar fundamental para a manutenção da confiança pública no processo eleitoral.

Nunes Marques pretende discutir com os representantes das big techs temas como o combate intensificado às notícias falsas e o controle de conteúdo gerado por inteligência artificial, especialmente os deepfakes, que representam um desafio crescente para a integridade informacional.

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