TALENTO POTIGUAR DOCE

Kallyane Costa transforma paixão em império de sabor

Kallyane Costa, confeiteira potiguar, sorrindo e mostrando seus doces artísticos.
Kallyane Costa, uma confeiteira potiguar de 37 anos, transformou sua paixão em um negócio próspero.

Aos 37 anos, Kallyane Costa inovou na pandemia e agora inspira outras mulheres a empreender com resiliência.

A paixão por doces se transformou em uma jornada profissional e inspiradora para Kallyane Costa, confeiteira potiguar de 37 anos. Sua decisão de empreender, consolidada em 2018 e reinventada durante a pandemia, não apenas garantiu seu sustento, mas também abriu caminho para o empoderamento de outras mulheres, em uma história de resiliência e sabor que ecoa nesta quinta-feira, 30/04/2026.

As memórias afetivas de festas e celebrações, onde o doce era presença constante, moldaram a vocação de Kallyane. "Eu costumo dizer que a confeitaria sempre fez parte da minha vida, sempre fez parte do meu dia a dia e do meu crescimento", revela. A profissionalização, inicialmente não planejada, começou a tomar forma em 2017, com encomendas para familiares e amigos, marcando o início de uma nova fase.

Bolos em chantininho, doces tradicionais e pequenas encomendas pavimentaram o caminho. "Foi quando eu enxerguei que aquilo ali poderia se tornar a minha profissão", conta Kallyane. Em 2018, a confeitaria já não era apenas um hobby; transformou-se no centro de sua rotina e paixão. A busca por formação técnica e aperfeiçoamento foi o passo seguinte, solidificando seu compromisso com a arte de criar.

Contudo, foi um período de crise coletiva que redefiniu sua produção. Durante a pandemia, com as grandes festas dando lugar a comemorações íntimas, surgiu a inovadora ideia de criar kits personalizados em pasta americana. Sem experiência prévia, sem técnica consolidada e com materiais limitados, ela simplesmente começou. "Eu não tinha nenhuma prática, eu não tinha técnica, eu não tinha materiais necessários para começar, mas eu comecei", relembra Kallyane, um testemunho de sua coragem.

A resposta do público foi imediata. Os pedidos multiplicaram-se, novos clientes surgiram, e a pasta americana, antes um mistério, tornou-se o carro-chefe de seu trabalho. "Confesso que o meu maior aprendizado e o meu maior curso é e foi a prática." Essa dedicação incansável, construída por meio de acertos, erros e insistência, foi crucial para moldar a identidade única de seus produtos.

Kallyane buscou aprimorar-se continuamente, transformando doces que considerava "não tão elaborados" em obras de arte comestíveis. Na confeitaria artística, onde cada detalhe conta, a evolução vai além da técnica; é também sensível. "Eu costumo dizer que um doce, um bolo, ele não tem que ter só beleza, ele tem que ter sabor. Então, são duas coisas que têm que andar juntos", enfatiza, ressaltando a importância do equilíbrio entre forma e essência.

Esse cuidado se estende à relação com seus clientes. Kallyane constrói uma experiência compartilhada, indo além da mera entrega de um produto. "A partir do momento que o cliente fecha comigo, eu idealizo a festa junto com ele. Então, eu sonho e tenho ansiedade junto com o meu cliente." É um envolvimento profundo que busca traduzir expectativas e afetos em um bolo ou uma mesa de doces cuidadosamente montada.

Apesar da paixão, os desafios são constantes. Kallyane recorda a produção de uma festa completa em menos de 24 horas, uma verdadeira corrida contra o tempo para garantir a perfeição. "Eu estava correndo contra o tempo e eu precisava entregar a perfeição ao meu cliente", compartilha, ilustrando a pressão de manter a excelência.

Essa dedicação, no entanto, exige sacrifícios. "A parte mais difícil da minha profissão hoje, acredito que seja abrir mão de alguns momentos, de estar com minha família, de estar com meus amigos", confessa. É a escolha silenciosa de muitos criadores: o balanço delicado entre a construção profissional e a vida pessoal.

Mesmo com os percalços, o retorno emocional é o motor de sua jornada. "O mais gratificante é o reconhecimento do meu cliente, ver o olhar dele, a satisfação quando recebe o meu produto. Isso para mim é o mais gratificante." Hoje, Kallyane vai além de produzir: ela ensina, compartilha seu conhecimento e incentiva outras mulheres a enxergarem a confeitaria como um caminho viável de sustento.

"Fazer com que outras mulheres enxerguem a confeitaria como uma profissão, passar o meu conhecimento para outras pessoas, isso são planos para o futuro." Seu conselho é direto e poderoso: "Comece, comece, comece. Primeiro de tudo, comece acreditando que você é capaz."

Não há espaço para a romantização do início. "Comece mesmo sem ter equipamentos, comece mesmo sem ter materiais, comece." Para Kallyane, a condição ideal não precede a ação. "A oportunidade perfeita e a condição perfeita não surgem, é você quem cria." Sua rotina é intensa, com produção, compras, planejamento e execução, tudo sob sua responsabilidade. É um trabalho que exige solidão em muitos momentos, mas que se conecta profundamente com sua escolha.

"Só eu modelo, só eu personalizo, só eu faço os chocolates. Então, é bem corrido, é bem cansativo, mas é bem gratificante." Essa contradição entre o cansaço e o prazer, a pressão e o encanto, define sua relação com a confeitaria. "Hoje eu não me vejo em outra profissão." E é neste ponto que sua história transcende o universo dos doces, tornando-se um hino à escolha, à insistência e ao pertencimento. É a celebração de transformar o cotidiano em uma linguagem própria e de entender que, muitas vezes, aquilo que sempre esteve presente é o que nos define.

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