GESTÃO PÚBLICA IRREGULAR

Justiça invalida cargos da Prefeitura de São Miguel após ação do MPRN

Edifício do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte
Fachada da sede do Tribunal de Justiça do RN — Ação Direta de Inconstitucionalidade do MPRN questionou a falta de atribuições claras para cargos públicos na cidade do RN | reprodução

Decisão judicial anula cargos sem descrição de atribuições na Lei Municipal 701/2009. Medida visa garantir transparência e moralidade administrativa.

A criação de cargos públicos na Prefeitura de São Miguel foi alvo de uma decisão judicial que invalidou parte da legislação local. O Tribunal de Justiça do RN acolheu o pedido do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), questionando a ausência de definições sobre as funções estabelecidas pela Lei Municipal número 701/2009.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) apresentou a demanda após constatar que a norma criava cargos, tanto efetivos quanto comissionados, sem especificar as atividades a serem desempenhadas pelos servidores. A falha na redação da lei foi apontada pelo Procurador-Geral de Justiça como uma violação aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade e impessoalidade.

Entre as funções impactadas pela decisão estão as de analista de controle interno, auxiliar técnico, coordenador de auditoria, assessor jurídico e assistente de gabinete. O julgamento declarou a invalidade dos artigos e anexos que falharam em descrever essas atribuições, estabelecendo que a clareza sobre as tarefas é um requisito indispensável para a criação de postos no serviço público.

Transparência e fiscalização

A Justiça reconheceu a necessidade de detalhamento para assegurar que a administração pública seja exercida sem desvios e sob constante controle. Embora a maior parte da estrutura questionada tenha sido anulada, o cargo de controlador-geral do município foi mantido, por entender o Tribunal de Justiça do RN que a função possui natureza clara de direção e assessoramento.

Com essa determinação, a Prefeitura de São Miguel precisará promover ajustes na legislação para alinhar o funcionalismo público aos preceitos da Constituição Estadual. A decisão busca proteger a integridade da gestão municipal, permitindo que a sociedade compreenda exatamente quais responsabilidades cabem a cada profissional contratado pelo Poder Executivo local.

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