GUERRA AO TRÁFICO

Justiça Federal condena líder do tráfico a 37 anos de prisão

Lindomar Furtado, de 45 anos, antes e depois de cirurgias plásticas
Lindomar Furtado, de 45 anos, antes e depois de cirurgias plásticas. Imagem: Reprodução

Lindomar Reges Furtado é sentenciado por mais de 400 acusações em megaoperação. Defesa anuncia recurso.

A decisão da Justiça Federal no Rio de Janeiro, proferida nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, condenou Lindomar Reges Furtado a 37 anos de prisão. A sentença, emitida pelo 5º Tribunal Federal do Rio, impõe uma pena rigorosa ao homem apontado como líder de uma sofisticada organização criminosa dedicada ao tráfico transnacional de cocaína e à lavagem de dinheiro. Esta condenação representa um duro golpe contra o narcotráfico internacional, protegendo a sociedade dos impactos devastadores do crime organizado e da circulação de drogas em larga escala.

Furtado enfrentou mais de 400 acusações, que incluíam:

  • Organização Criminosa: Com agravantes por sua liderança e conexões internacionais robustas.
  • Tráfico Transnacional de Drogas: Condenado por 15 episódios de tráfico, ele foi absolvido de apenas uma acusação por falta de provas sobre a natureza da substância em uma remessa específica.
  • Lavagem de Dinheiro: Considerado culpado pela prática de 380 atos de lavagem de capitais.

O réu, juntamente com Cristiano Mendes de Córdova Nascimento, era responsável por definir estratégias, negociar com fornecedores na América do Sul e compradores no exterior, além de gerenciar os recursos financeiros do grupo.

Lindomar está sob prisão preventiva desde fevereiro de 2025. Sua detenção ocorreu após a Operação Turfe da Polícia Federal, que teve início em 2022. Naquela época, Furtado conseguiu fugir de sua residência e permaneceu foragido por três anos, até ser capturado no ano passado.

![Lindomar Furtado, de 45 anos, antes e depois de cirurgias plásticas • Reprodução](https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2025/02/CNN-3.jpg?w=849&h=477&crop=0)

O tribunal manteve sua prisão preventiva, fundamentando a decisão na gravidade dos crimes cometidos, no risco iminente de ele cometer novos delitos e em sua forte ligação com narcotraficantes estrangeiros, elementos que apontavam para uma possível nova tentativa de fuga.

De acordo com a decisão judicial, a organização criminosa teria contrabandeado mais de seis toneladas de cocaína para a Europa entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2022. O esquema utilizava contêineres marítimos e uma complexa rede de casas de câmbio para ocultar os lucros ilícitos.

Além de Lindomar, um conjunto de sentenças resultou na condenação de pelo menos 17 outros indivíduos envolvidos na operação. A defesa de Lindomar já informou, por meio de nota, que recorrerá da sentença, alegando que o processo apresentou diversas falhas ilegais na investigação.

Organização Criminosa

A rede operava em toda a cadeia de valor da cocaína, desde a aquisição com fornecedores na Bolívia e Colômbia até a entrega a compradores internacionais em portos europeus cruciais, como Antuérpia (Bélgica), Roterdã (Países Baixos) e Gioia Tauro (Itália).

As investigações revelaram que o grupo se apoiava em uma segunda organização criminosa, liderada pelos irmãos paraguaios Riquelme Oviedo, especializada em câmbio paralelo.

Para ocultar a origem ilícita dos fundos, a organização utilizava contas bancárias de empresas "fantasmas" ou de fachada, realizando centenas de pagamentos a fornecedores, familiares e colaboradores, o que dificultava o rastreamento do dinheiro.

Na aquisição de bens de luxo, como um imóvel avaliado em R$ 4,5 milhões pago em espécie, Lindomar registrava os bens em nome de terceiros, incluindo familiares como sua esposa ou cunhada, e parceiros internacionais.

Operação Turfe

A investigação teve início com uma notícia-crime da DEA, Agência Antidrogas dos Estados Unidos, em junho de 2020. Após diligências preliminares, a Polícia Federal solicitou e obteve autorização judicial em 25 de novembro do mesmo ano para uma medida de infiltração policial.

O agente infiltrado se apresentou com conexões no Porto do Rio de Janeiro, afirmando ser capaz de facilitar a entrada de drogas e burlar a fiscalização de scanners.

Este disfarce permitiu ao policial acesso direto a Lindomar e Cristiano. O agente participou de reuniões presenciais e por videoconferência em locais de luxo, onde os líderes discutiram abertamente sua experiência de 10 anos no tráfico, suas conexões na Europa e o uso de empresas de fachada.

A equipe de advogados de Cristiano, que foi condenado a uma pena de 26 anos em uma decisão separada, também se manifestou, afirmando que questionou, desde o início, a legalidade e os limites da infiltração policial que serviu como pilar da investigação.

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