CONTROLE DE IMIGRAÇÃO
ICE planeja equipar agentes com luvas de choque elétrico nos EUA
Departamento de Segurança Interna pretende investir US$ 20 milhões em dispositivos G.L.O.V.E. para subjugar indivíduos resistentes.
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) planeja equipar seus agentes com luvas capazes de emitir choques elétricos dolorosos para forçar a obediência de indivíduos durante abordagens. A decisão, revelada em um aviso publicado na segunda-feira (10) pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), visa implementar o uso de tecnologia de força não letal em operações de rotina.
Conforme informações divulgadas pela Associated Press na terça-feira (11), a agência pretende investir até US$ 20 milhões na aquisição de milhares desses dispositivos até março. O equipamento, denominado G.L.O.V.E. (Emissor de Voltagem de Baixa Intensidade Gerada), é fabricado pela Compliant Technologies LLC e funciona como uma luva comum até que o agente ative o modo elétrico por meio de um botão.
O mecanismo exige contato direto com a pele da pessoa para provocar um estímulo doloroso, descrito pelo fabricante como uma sensação semelhante a uma "picada de abelha", destinada a interromper resistências físicas. O Instituto para a Prevenção de Mortes sob Custódia, representado por John Peters, aponta que a ferramenta pode facilitar a imobilização em situações de confronto, especialmente para agentes em desvantagem física.
Entretanto, a medida desperta críticas severas de organizações de direitos humanos. Jenn Rolnick Borchetta, da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), argumenta que o ICE possui um histórico problemático de uso excessivo da força. Ela ressalta o risco de que os dispositivos sejam utilizados sem supervisão adequada ou aviso prévio, agravando a vulnerabilidade dos indivíduos abordados sob a política de repressão à imigração do presidente Donald Trump.
Embora a Compliant Technologies afirme que o uso requer certificação bienal e restrinja a aplicação contra grupos sensíveis como crianças, gestantes e idosos, a preocupação central permanece sobre a possibilidade de danos e abusos contra o público civil, transformando a abordagem imigratória em uma operação de alto risco constante.
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