SAÚDE EM CRISE

Justiça do RN ordena regularização da Unicat em 90 dias

Unicat Natal, sede da Unidade Central de Agentes Terapêuticos
Fachada da Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat) no bairro do Alecrim, em Natal.

Decisão judicial exige que Governo do Estado resolva problemas estruturais e falta de medicamentos na Unidade Central de Agentes Terapêuticos, afetando mais de 13 mil pacientes do SUS.

A Justiça do Rio Grande do Norte determinou que o Governo do Estado adote medidas urgentes para regularizar o funcionamento da Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), localizada no bairro do Alecrim, em Natal. A decisão judicial, que repercute nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, responde a uma denúncia de falhas estruturais graves, escassez de medicamentos essenciais e atendimento precário, impactando diretamente a dignidade e o acesso à saúde de mais de 13 mil pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que dependem da unidade.

A Unicat é o pilar para a distribuição de remédios vitais a milhares de pessoas no RN, e a situação atual impede que muitos tenham acesso a tratamentos indispensáveis. Relatos de ausência de profissionais, aglomerações e um serviço deficiente são constantes, gerando angústia e incerteza para famílias já fragilizadas. O Ministério Público do RN (MPRN), ao oferecer a denúncia, ressaltou que vistorias técnicas confirmaram as dificuldades recorrentes que a população enfrenta para obter seus medicamentos.

Entre as exigências da Justiça, destaca-se a apresentação de um plano detalhado para adequações físicas, visando, por exemplo, a ampliação da sala de espera, fundamental para garantir um mínimo de conforto e respeito aos pacientes. Além disso, a decisão obriga a regularização do registro da unidade junto ao Conselho Regional de Farmácia e a comprovação da contratação ou reposição de farmacêuticos e técnicos administrativos para atender à demanda.

Outro ponto crítico levantado é o compartilhamento de espaço da Unicat com setores do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e do Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep). Essa convivência forçada cria conflitos de fluxo e atendimento, tornando o ambiente ainda mais complexo e estressante, especialmente para pacientes em tratamento de saúde mental, que necessitam de um local acolhedor e tranquilo.

O Governo do RN tem um prazo de até 90 dias para implementar as mudanças. É importante salientar que muitas das medidas agora determinadas pela Justiça já estavam previstas no planejamento estadual, conforme o Plano Plurianual 2024-2027, o que reforça a urgência e a necessidade de cumprimento. A população espera que essa intervenção judicial garanta o direito básico à saúde e dignidade que cada cidadão merece.

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