COMBATE À CORRUPÇÃO
Justiça determina afastamento de gestor e vereador em Salvador por suspeita de fraude
Decisão judicial visa preservar investigações sobre desvios de R$ 38,3 milhões em contratos da prefeitura baiana.
A Justiça da Bahia determinou o afastamento do secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro de Salvador, Luciano Sandes, e do vereador George Carlos Reis Pereira, conhecido como Gordinho da Favela (PP), de seus respectivos cargos. A medida, tomada para proteger a integridade das provas e evitar interferências na produção de evidências, foi formalizada nesta terça-feira, 14/07/2026, em desdobramento de uma investigação sobre um esquema de corrupção que impacta diretamente a gestão dos recursos públicos destinados à população.
A decisão foi executada na segunda-feira, 13/07/2026, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público da Bahia (MP-BA). A investigação aponta que a organização criminosa teria desviado R$ 38,3 milhões dos cofres municipais ao longo de uma década, comprometendo serviços essenciais geridos pela Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade (Seman) e pela Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal).
Segundo a magistrada responsável, a permanência de Luciano Sandes no cargo representava risco ao andamento das apurações, dada a sua autoridade para ordenar pagamentos e influenciar procedimentos administrativos. De forma cautelar, o afastamento de George Carlos Reis Pereira também busca impedir que o prestígio político seja utilizado para obstruir a justiça ou coagir servidores públicos que buscam colaborar com o caso.
O suposto esquema utilizava o direcionamento de licitações, superfaturamento e aditivos contratuais sem fundamentação técnica para beneficiar empresas vinculadas ao grupo. Um exemplo citado pelo Ministério Público envolve um pregão de 2018, cujo valor saltou de R$ 8,9 milhões para R$ 15,2 milhões, um incremento superior a 60% sem justificativa plausível. A Prefeitura de Salvador declarou que acatará a determinação judicial e abrirá um procedimento administrativo interno para apurar os danos ao erário.
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