ACUSAÇÃO GRAVE

Justiça de São Paulo torna Deolane Bezerra ré em processo por ligação com o PCC

Foto de Deolane Bezerra Santos.
Influenciadora e advogada Deolane Bezerra Santos se tornou ré em processo que investiga seu envolvimento com a organização criminosa PCC.

Influenciadora e advogada responde por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Acusação aponta uso de transportadora de fachada e movimentações financeiras suspeitas. Defesa contesta.

A Justiça de São Paulo aceitou, nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra a influenciadora e advogada Deolane Bezerra Santos. Ela se tornou ré em um processo que apura seu envolvimento com a organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em um esquema milionário de lavagem de dinheiro. A decisão importa pois afeta diretamente a vida da investigada e levanta questionamentos sobre a influência do crime organizado em diversas esferas da sociedade.

Segundo investigações às quais a CNN Brasil teve acesso, Deolane teria atuado como receptora de valores da facção. Ela teria sido beneficiada por operações de uma transportadora de fachada, apontada como empresa criada pelo PCC para ocultar a origem ilícita de recursos. A influenciadora também teria empregado a técnica de *smurfing*, realizando movimentações milionárias por meio de depósitos fracionados para dificultar o rastreamento e ocultar a origem dos valores.

As apurações também identificaram imóveis registrados em nome de Deolane e de seus filhos que teriam sido adquiridos com recursos vinculados ao PCC. A dignidade individual e a presunção de inocência são pontos centrais neste caso, enquanto a Justiça busca esclarecer os fatos.

A influenciadora e advogada responde pelos seguintes crimes:

  • Organização Criminosa - Art.2º, caput, da Lei nº 12.850/2013. A pena prevista, em caso de condenação, é de três a oito anos de reclusão.
  • Lavagem de Capitais - Art. 1º, caput, §1º, inciso I e §4º, da Lei nº 9.613/1998. A pena, se condenada, varia de 3 a 10 anos de reclusão.

Ambos os crimes preveem ainda a aplicação de multa.

Além de Deolane, a denúncia oferecida pelo MP-SP foi recebida contra outros cinco acusados: Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (sobrinho de Marcola), Paloma Sanches Herbas Camacho (sobrinha de Marcola), Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (irmão de Marcola) e Everton de Souza.

Com a decisão judicial, os réus serão citados pessoalmente para apresentar defesa em até 10 dias. Deolane Bezerra Santos permanece detida na penitenciária de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.

Outro Lado

Em nota oficial, a defesa de Marco Willians Herbas Camacho e sua família, representada pelo advogado Bruno Ferullo, contesta a denúncia aceita pela Justiça. A defesa argumenta que Marcola e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior estão custodiados em estabelecimento penal federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, sob severas restrições de contato, o que torna inviável qualquer participação nos fatos investigados. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho também refutam as imputações, afirmando que o vínculo familiar não configura participação criminosa.

A defesa esclarece que os elementos patrimoniais e financeiros serão devidamente contextualizados durante a instrução processual, com apresentação de provas sobre a origem e regularidade das operações. A defesa pretende demonstrar a fragilidade da acusação e a improcedência das imputações.

A CNN Brasil buscou contato com a defesa de Deolane Bezerra Santos, e o espaço para manifestação permanece aberto.

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