VIOLÊNCIA CONTRA MULHER
Justiça condena homem a 57 anos por espancar ex-companheira até a morte em Cananéia, SP
Tribunal do Júri considerou Uanderson Gonçalves da Cruz culpado por feminicídio qualificado. Defesa anuncia recurso alegando falhas técnicas na dosimetria da pena.
A Justiça de Cananéia, no litoral de São Paulo, decidiu nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, pela condenação de Uanderson Gonçalves da Cruz a 57 anos de prisão pela morte de sua ex-companheira, Camila Gomes, de 43 anos. O Tribunal do Júri considerou que Uanderson invadiu a residência da vítima e a agrediu brutalmente até a morte com socos e chutes, na presença da avó dela. A decisão, considerada definitiva pela maioria dos jurados, impacta diretamente a percepção de segurança na comunidade e reforça a necessidade de combate à impunidade em casos de violência doméstica.
O crime chocou a pequena cidade de Cananéia em junho de 2025, quando Uanderson invadiu a casa de Camila no bairro Acaraú. Agressões testemunhadas por vizinhos e pela avó da vítima, de 83 anos, foram relatadas. Câmeras de monitoramento registraram o momento em que o agressor fugiu de bicicleta, proferindo aos vizinhos que se tratava de uma "briga de casal", evidenciando uma tentativa de minimizar a gravidade de seus atos.
O Ministério Público (MP) denunciou Uanderson por feminicídio qualificado por motivo torpe e meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e a presença da avó durante o ataque. Adicionalmente, foram imputados os crimes de furto e violação de domicílio, devido à invasão da residência pela janela do banheiro durante a madrugada. Todas as acusações foram acolhidas pelos jurados, que reconheceram a brutalidade e a covardia do ato.
A pena total fixada para Uanderson totaliza 57 anos, 7 meses e 24 dias de prisão em regime fechado pelos crimes de feminicídio e furto, somada a 8 meses e 12 dias de detenção em regime semiaberto por violação de domicílio. O juiz Lucas Semaan Ezequiel destacou que as circunstâncias e consequências do crime extrapolaram o ordinário, justificando o aumento da pena em razão dos antecedentes e reincidência do réu. A sentença reflete o rigor da Justiça contra a impunidade e em resposta à violência contra a mulher.
A defesa de Uanderson, representada pelo advogado Claudio Roberto Fraga, anunciou que irá recorrer da decisão. Embora respeite a soberania do Conselho de Sentença, a defesa discorda da pena estabelecida, alegando que houve dupla valoração de circunstâncias do crime na dosimetria. Segundo o advogado, qualificadoras como o cometimento do crime na presença da avó foram utilizadas mais de uma vez para ampliar a pena, o que violaria princípios do direito penal. A defesa busca uma revisão técnica da pena junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo, focando em uma questão estritamente jurídica.
O caso remonta a junho de 2025, quando Camila tentou fugir do agressor, mas foi alcançada e brutalmente agredida até perder a consciência. Vizinhos, alertados pela avó, tentaram prestar socorro, mas Camila não resistiu aos ferimentos e morreu no pronto-socorro devido a traumatismo cranioencefálico. Uanderson foi preso horas depois, no Centro da cidade, portando o celular da ex-namorada, evidenciando a gravidade da violência doméstica que resultou em feminicídio.
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