DECISÃO DE CUSTÓDIA
Justiça concede liberdade provisória a cuidadora acusada de desvios em Eunápolis
A cuidadora, investigada por subtrair R$ 100 mil de uma idosa acamada, responderá em liberdade após audiência realizada em 17/07/2026.
A Justiça concedeu liberdade provisória à cuidadora de uma idosa acamada, investigada por desviar cerca de R$ 100 mil da vítima para apostas online, em decisão proferida durante audiência de custódia realizada em 17/07/2026. A medida, que permite à investigada responder ao processo fora do sistema prisional, foi determinada em Eunápolis, Bahia, por se tratar de crime sem violência e por ser a suspeita ré primária.
O caso, que chocou a comunidade local, envolve uma relação de extrema vulnerabilidade. Conforme o apurado pela Polícia Civil, a mulher, de 53 anos, aproveitava-se de sua condição de cuidadora para realizar transferências via PIX e solicitar empréstimos consignados utilizando o reconhecimento facial da idosa, que padece de sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O crime, descoberto por familiares da vítima no bairro Itapuã, revelou a gravidade da violação de confiança que deixou a idosa desassistida financeiramente.
A confissão da suspeita trouxe à tona o impacto devastador do vício em jogos de azar, popularmente conhecidos como "jogo do tigrinho". Durante o interrogatório, a mulher admitiu que os valores subtraídos eram destinados às apostas. O comportamento, clinicamente identificado como ludopatia, é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um transtorno grave, capaz de destruir laços familiares e gerar danos financeiros irreversíveis, conforme relatos recorrentes sobre o tema no estado.
Este episódio integra um cenário de crescente preocupação social na Bahia. Relatos trágicos, como o caso de Otacílio Prates, auditor do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), que tirou a própria vida em dezembro de 2025 devido a dívidas milionárias relacionadas a apostas, evidenciam a urgência do debate sobre o tema. Em Salvador, grupos como os Jogadores Anônimos, situados no bairro Pituba, buscam oferecer suporte a indivíduos que enfrentam o ciclo compulsivo do vício, reforçando a necessidade de políticas públicas e redes de apoio especializadas.
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