FINANÇAS DO CRIME
Justiça bloqueia R$ 10 milhões de 'Diabo Loiro' em ofensiva contra o PCC
Ação de Polícia e MP em oito cidades desarticula esquema que usava empresas e sócios "laranjas" para esconder lucros do tráfico.
O combate implacável ao crime organizado atingiu um de seus pontos nevrálgicos nesta sexta-feira, 08 de maio de 2026, quando a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo desarticularam um elaborado esquema de lavagem de dinheiro. A operação, que mira recursos provenientes do tráfico internacional de drogas comandado pelo Primeiro Comando do Capital (PCC), representa um golpe significativo na capacidade financeira da facção e na ostentação de luxo de seus integrantes, impactando diretamente a estrutura de poder dessas organizações criminosas e a segurança da sociedade.
O influenciador digital Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”, figura como o principal alvo da ação. Ele já havia sido preso em outubro de 2025, durante uma investigação do Gaeco Campinas, sob suspeita de envolvimento em um plano do PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho. Magrini também é ex-padrasto do MC Ryan, que por sua vez foi detido na Operação Narco Fluxo.
A investigação revelou que, por meio de sócios "laranjas", empresas nos ramos de transporte e rodeios movimentaram vultosos recursos financeiros de origem criminosa. Os laços de "Diabo Loiro" com essas empresas foram identificados, e a ostentação de um patrimônio milionário nas redes sociais chamou a atenção dos investigadores.
Mateus Magrini, filho de Eduardo, também está sob investigação, suspeito de operar com dinheiro ilícito através de uma empresa do setor musical. Mateus já havia sido alvo da Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, juntamente com MC Ryan. Para as autoridades, as conexões familiares reforçam a tese de que o núcleo de Eduardo Magrini está profundamente envolvido em atividades de lavagem de dinheiro.
Batizada de "Operação Caronte", em alusão ao barqueiro da mitologia grega que transporta almas para o submundo, a ação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga. A iniciativa é um esforço conjunto do Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (SECCOLD) da 1ª DIG – DEIC Campinas e do Gaeco de Campinas.
As apurações indicam que Eduardo Magrini pratica lavagem de dinheiro desde 2016. Essa prática se intensificou após a análise de dados fiscais e bancários pelo Lab-LD (Laboratório de Lavagem de Dinheiro) e pelo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que detectaram uma movimentação financeira totalmente incompatível com as rendas declaradas pelos investigados.
Sobre Eduardo Magrini
Eduardo Magrini, o “Diabo Loiro”, foi detido em outubro de 2025 como parte de uma operação que mirava um esquema de lavagem de dinheiro conectado a dois dos traficantes mais procurados do Brasil.
Apontado como membro de alta relevância do PCC, Magrini possui um histórico criminal que remonta a cerca de 30 anos, acumulando condenações por delitos como tráfico de drogas e uso de documentos falsos desde 1998.
Antes de sua prisão, Magrini se promovia nas redes sociais como "influencer digital". Em seu perfil, que contava com 105 mil seguidores, ele compartilhava fotografias exibindo carros de luxo, viagens suntuosas e momentos em rodeios, símbolos de uma vida construída sobre atividades ilícitas.
Bloqueio de bens milionário
A Justiça decretou o bloqueio de R$ 10 milhões das contas dos investigados. Além disso, veículos e outros bens em nome dos suspeitos também foram alvo da medida, visando descapitalizar a organização criminosa e recuperar parte do dinheiro desviado do povo.
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