ABUSO POLICIAL
Justiça anula provas contra motorista agredido por PM em Blumenau
Decisão da Justiça aponta inconsistência no relato da PM; servidor segue preso por tentativa de homicídio. Agente afastado.
A Justiça de Santa Catarina anulou nesta quinta-feira, 30 de abril, a prisão em flagrante, o teste do bafômetro e outras provas colhidas contra o servidor público Diego Fernando Zimerman, detido após atropelar dois motociclistas em 18 de abril, em Blumenau. A decisão, proferida pelo juiz Victor Grachinski, fundamentou-se na brutalidade da abordagem policial, flagrada em vídeo que mostra o motorista sendo agredido por um PM mesmo após se render. Este desdobramento impacta diretamente a legalidade das provas iniciais e reforça a necessidade de vigilância sobre a conduta policial, embora o servidor continue preso sob acusação de tentativa de homicídio.
O episódio de violência policial ganhou destaque após a divulgação de imagens que mostram o momento da prisão. Diego Fernando Zimerman, que dirigia um Golf, envolveu-se em uma briga com um motociclista de 50 anos. Conforme a Polícia Militar, ele atingiu o piloto propositalmente e, ao tentar fugir, atropelou uma mulher de 53 anos, que também estava em uma motocicleta.
Após os incidentes, o homem fugiu para a garagem de um prédio, onde dois policiais o abordaram. Vídeos chocantes revelam um dos PMs chutando e subindo nas costas de Diego enquanto ele já estava deitado no chão, rendido e sem oferecer resistência aparente.
Apesar da anulação do flagrante por conta da conduta policial, a Justiça manteve a prisão de Diego Fernando Zimerman. O juiz entendeu que a detenção não se baseia na embriaguez ao volante, mas sim na acusação de tentativa de homicídio, o que indica a gravidade das infrações iniciais, mas não valida a violência na abordagem.
A defesa do servidor público, que atuava na Secretaria de Transportes de Blumenau, manifestou satisfação com a decisão judicial. O advogado Rodolfo Warmeling afirmou que a Justiça acolheu "praticamente todas as teses apresentadas pela defesa" e garantiu que seguirá buscando a soltura de seu cliente, agora focado na alegação de tentativa de homicídio.
Contrastando com as imagens que mostram o homem rendido com as mãos para o alto, o relato da prisão no boletim de ocorrência da PM detalhou que Diego "apresentou resistência ativa" e "comportamento evasivo e risco à integridade dos agentes públicos". As imagens, porém, desmentem essa narrativa, exibindo Diego recebendo múltiplos chutes, tapas na cabeça e costela, e puxões de cabelo. Outra policial presente não interveio durante as agressões.
Na decisão proferida nesta quinta-feira, 30 de abril, o juiz Victor Grachinski apontou a "aparente registro inverídico dos fatos no boletim de ocorrência" e solicitou providências complementares para apuração e preservação de provas. Em resposta, a Polícia Militar informou que instaurará um Inquérito Policial Militar (IPM) sobre o caso, e o agente flagrado no vídeo será afastado de funções operacionais, cumprindo apenas atividades administrativas durante as investigações. Este passo é crucial para garantir a apuração da responsabilidade e manter a confiança da sociedade nas instituições de segurança.
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