JUROS ATINGEM RECORDE

Juros bancários alcançam pico histórico de 33,8% ao ano, aponta Banco Central

Ilustração representando o aumento de juros em bancos.
Juros cobrados por bancos batem recorde e chegam a 33,8% ao ano, aponta Banco Central.

Taxas médias para pessoas físicas e empresas chegam a 39% e 22,3% anuais, respectivamente. Governo aposta no Desenrola para aliviar endividamento.

O cenário de crédito se tornou mais oneroso em abril de 2026, quando os juros médios cobrados pelos bancos para pessoas físicas e empresas atingiram o recorde de 33,8% ao ano. Este é o maior patamar desde 2011, quando o Banco Central iniciou o registro histórico de tais taxas. A decisão reflete um momento de dificuldade financeira para muitos brasileiros e impacta diretamente a dignidade e o planejamento de famílias e negócios. O crédito mais caro dificulta o acesso a bens e serviços essenciais, além de agravar o endividamento.

Para pessoas físicas, a taxa média mensal subiu para 39% ao ano, um nível não visto desde março de 2017. Já para as empresas, o índice alcançou 22,3% anuais, o ponto mais alto desde agosto de 2016. Esses números evidenciam a pressão crescente sobre o orçamento de cidadãos e empreendedores, que buscam alternativas para honrar seus compromissos financeiros.

Gráfico mostrando o aumento dos juros cobrados por bancos.
Juros cobrados por bancos batem recorde e chegam a 33,8% ao ano, aponta Banco Central.

Diante desse cenário de crédito mais caro e aumento do endividamento familiar, o governo federal intensifica os esforços com o programa Desenrola. A iniciativa busca aliviar as dívidas, especialmente as contraídas no cartão de crédito. Desde o reinício da nova fase do programa, em 5 de maio de 2026, já foram renegociados R$ 10 bilhões em dívidas, por meio de aproximadamente 1,1 milhão de pedidos, demonstrando a urgência dessa medida para a recuperação financeira da população.

Apesar da recente queda na taxa Selic, que se encontra em 14,5% ao ano, Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, ressaltou que ainda é prematuro avaliar os efeitos dessa redução nas taxas praticadas pelos bancos. "A Selic atual ainda é elevada e restritiva. Não dá para saber quando haverá um impacto mais significativo para colocar os juros em trajetória de redução", explicou o economista em coletiva de imprensa.

O rotativo do cartão de crédito, modalidade com juros notoriamente altos, continua sendo um dos principais focos do Desenrola. Em abril, as taxas nessa modalidade atingiram uma média de 432,1% ao ano. A inadimplência nesse segmento permaneceu elevada, com 60,6%, embora tenha apresentado uma leve queda de 0,5 ponto percentual no mês. É importante lembrar que o Banco Central estabeleceu que a soma de juros e encargos no rotativo e no parcelamento da fatura não deve exceder 100% do valor original da dívida, visando proteger o consumidor.

Os dados divulgados também indicam um aumento na inadimplência do crédito não consignado, que subiu para 9,3%, um acréscimo de 0,4 ponto percentual. No crédito consignado para trabalhadores do setor privado, o índice de atrasos atingiu 7,3%, o maior valor desde março de 2025. Essa situação exige atenção, pois reflete a dificuldade de muitas famílias em cumprir suas obrigações financeiras.

A concessão de empréstimos consignados para trabalhadores com carteira assinada foi de R$ 9,7 bilhões em abril, representando uma queda de 10,1% em comparação com o mês anterior. As taxas cobradas nessa modalidade apresentaram recuo leve, situando-se em 56,3% ao ano. Contudo, no consignado para aposentados do INSS, as concessões diminuíram 24,2%. Segundo o Banco Central, essa retração pode estar associada à decisão cautelar do Tribunal de Contas da União (TCU), que suspendeu novas operações e sinaliza a necessidade de aprimoramento dos sistemas governamentais e maior cautela por parte das instituições financeiras na oferta de crédito.

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