LIBERDADE DE IMPRENSA

Juristas criticam decisão de Alexandre de Moraes sobre sigilo da fonte

Ministro do STF Alexandre de Moraes em sessão oficial.
Ministro Alexandre de Moraes no plenário do STF.

Medidas de busca e apreensão contra investigados ligados ao jornalista Luís Pablo geram preocupação sobre o risco de censura e o efeito inibidor no jornalismo

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou medidas de busca e apreensão contra investigados ligados ao jornalista maranhense Luís Pablo, provocou críticas e levantou questionamentos sobre os limites da investigação judicial e a proteção constitucional ao sigilo da fonte. O caso, debatido amplamente por especialistas em março de 2026, reacendeu o alerta sobre como o Poder Judiciário lida com o exercício da atividade de imprensa.

Entre os críticos estão o ministro aposentado do STF, Marco Aurélio Mello, e os advogados Leonardo Corrêa, fundador da Lexum, e Fernando Capano, doutor em Direito Constitucional. Embora reconheçam a necessidade de investigar eventuais crimes, os três manifestaram preocupação com os efeitos colaterais da medida para a democracia.

O peso do sigilo constitucional

Para Marco Aurélio, a possibilidade de atingir o sigilo da fonte deve ser vista com extrema cautela. O ex-ministro defende que essa garantia é um pilar do Estado Democrático de Direito e não deve ser fragilizada. “Se tem como chegar a certos dados investigando segundo o figurino legal, se chega. Mas, se não se tem, evidentemente há a necessidade de recuar”, afirmou, reforçando que decisões de tamanha envergadura deveriam ser chanceladas pelo plenário do Supremo, e não de forma monocrática.

Argumentação circular e riscos ao jornalismo

Leonardo Corrêa questiona a fundamentação técnica do magistrado. Segundo o advogado, a decisão utilizou as próprias reportagens de Luís Pablo como prova de um suposto abuso, criando um argumento circular. “Ele chega à conclusão de que houve qualquer ilícito a partir das matérias”, pontua. Para a defesa, a falta de indícios específicos sobre condutas criminosas autônomas torna a medida uma ameaça à independência do repórter.

O efeito inibidor na notícia

Fernando Capano alerta para o chamado “chilling effect” — ou efeito inibidor — que a medida pode gerar na sociedade. O advogado explica que, se o jornalismo passar a ser alvo de investigações por suas fontes, a população deixará de denunciar irregularidades por medo de perseguição judicial. “Os crimes precisam ser dirimidos, mas não através do jornalismo legítimo”, ressalta o especialista.

Debate interno no STF

O caso expõe divergências no STF. Enquanto Edson Fachin tem reforçado a defesa da liberdade de imprensa, Alexandre de Moraes sustenta que a Constituição não pode ser usada como escudo para ilícitos. A investigação aponta que Raimundo Cutrim, ex-secretário do Maranhão, teria repassado dados a Luís Pablo, que publicou matérias sobre Flávio Dino. O jornalista nega qualquer irregularidade.

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