INVESTIGAÇÃO SOBRE EMENDAS

Emenda sob mira da PF financiou show de banda ligada a secretário em SP

Fachada da Polícia Federal
Fachada da sede da Polícia Federal.

Recursos federais destinados via indicação parlamentar custearam apresentações musicais em evento público; dirigente do PL nega irregularidades.

Uma investigação conduzida pela Polícia Federal aponta que emendas parlamentares atribuídas ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, foram utilizadas para custear um evento que contou com a apresentação de uma banda ligada a um secretário da prefeitura de Guarulhos, sob a gestão de Lucas Sanches (PL). O caso coloca em xeque a destinação de verbas públicas em contratos de entretenimento.

O montante de R$ 500 mil foi repassado em dezembro de 2025 para viabilizar a contratação do grupo Traia Véia e da dupla Thaemo & Thiago. As atrações subiram ao palco da 4ª Agrofest, realizada em novembro daquele ano na cidade de Iepê, interior de SP, que possui cerca de 7,6 mil habitantes. O grupo Traia Véia, que recebeu R$ 250 mil pelo serviço, tem entre seus sócios o secretário de Desenvolvimento Econômico de Guarulhos, Rodrigo Luiz Batista Redoschi.

Dados extraídos do Transferegov indicam que a prática não seria isolada. Além de Iepê, emendas sob análise da PF teriam sido empregadas para a contratação de artistas em municípios como Guaimbê (SP), Macedônia (SP) e Cafelândia (PR). Os valores são oriundos do orçamento do Ministério do Turismo. Levantamentos apontam que mais de R$ 80 milhões em emendas atribuídas ao chefe do PL beneficiaram cidades administradas por filiados da legenda.

Em nota, Rodrigo Luiz Batista Redoschi defendeu a regularidade das contratações, argumentando que os processos são públicos e seguem os ritos de transparência. O secretário enfatizou que sua atuação empresarial na banda é anterior ao cargo público e independente de suas funções na prefeitura de Guarulhos. A prefeitura de Iepê, por sua vez, afirmou que o convênio com o Ministério do Turismo seguiu todas as exigências legais e passou pelo crivo de fiscalização do órgão federal.

O cenário ganhou contornos mais graves com a atuação do STF. Diante dos indícios levantados pela Polícia Federal, o ministro Flávio Dino determinou a indisponibilidade de R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto e suspendeu a execução das despesas listadas. A investigação sugere que servidores da Câmara dos Deputados teriam inserido emendas de Valdemar como se fossem indicações regulares, o que, segundo o magistrado, configuraria indícios de peculato-desvio.

A defesa de Valdemar Costa Neto contesta a decisão judicial, classificando as premissas como frágeis e subjetivas. Em posicionamento oficial, os advogados negaram a prática de crimes, afirmando que a articulação de interesses e o diálogo parlamentar são práticas naturais da atividade político-partidária e que a exposição prematura da investigação ignora a ausência de provas concretas sobre qualquer esquema ilícito.

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