CRIME REPERCUTIU NO MA
Jordélia Pereira Barbosa vai a júri por duplo homicídio com ovo de Páscoa envenenado
Acusada responde por matar irmãos de 7 e 13 anos e tentar assassinar a mãe, Mirian Lira, com chocolate envenenado em abril de 2025.
A esteticista Jordélia Pereira Barbosa senta no banco dos réus nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, para responder pela morte de duas crianças e pela tentativa de assassinato da mãe delas, Mirian Lira. O caso, que chocou o Maranhão em abril de 2025, envolve o envio de um ovo de Páscoa envenenado, com o objetivo de tirar a vida de Mirian e de seus filhos.
Jordélia está presa desde 17 de abril de 2025 e é acusada de dois homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio. As vítimas fatais são os irmãos Luiz Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos. Mirian Lira, que era o alvo principal do ataque, sobreviveu após um longo período internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O julgamento acontece após a defesa da acusada esgotar os recursos. Os advogados tentaram anular a decisão que enviou o caso para o Tribunal do Júri, além de pedir a desclassificação dos crimes para lesão corporal. Todos os pedidos foram negados.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Maranhão indicam que o crime ocorreu na noite de 16 de abril de 2025. Um ovo de Páscoa, acompanhado de um bilhete com uma mensagem de "amor", foi entregue à família por um motoboy. Pouco tempo após consumir o doce, Mirian e seus dois filhos passaram mal.
Luiz Fernando faleceu horas após ser internado. Evelyn resistiu por cinco dias, mas morreu em 22 de abril de 2025. Mirian, após dias em estado grave, conseguiu sobreviver. Para os investigadores, o crime foi motivado por ciúmes, pois Mirian mantinha um relacionamento com o ex-companheiro de Jordélia. A acusada teria percorrido cerca de 380 quilômetros para executar o plano.
Essa não teria sido a primeira tentativa de Jordélia. Dias antes do envio do ovo, ela teria tentado atingir Mirian no local de trabalho, oferecendo chocolates aos funcionários, sem sucesso. A estratégia foi alterada para enviar o presente diretamente para a residência da vítima.
Laudos periciais confirmaram a presença de substância tóxica no chocolate e nos corpos das crianças. Vestígios do mesmo material foram encontrados em objetos apreendidos com a acusada no momento da prisão. Ela foi detida em um ônibus quando tentava retornar para Santa Inês, portando perucas, óculos, lentes de contato, um crachá falso, bilhetes de viagem, comprovantes de compra de chocolates, luvas, máscaras e um frasco com a substância utilizada no crime.
Durante o processo, a defesa solicitou um exame psicológico para avaliar a imputabilidade de Jordélia, mas o pedido foi negado pelo juiz Glender Malheiros, da 2ª Vara Criminal de Imperatriz. O magistrado considerou que as provas apresentadas são suficientes para indiciar autoria e materialidade, cabendo aos jurados a decisão final sobre a responsabilidade da acusada.
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