DIPLOMACIA E SEGURANÇA

Japão reavalia princípios antinucleares sob pressão de segurança regional

Imagem histórica da primeira bomba atômica sobre Hiroshima
Bombardeio em Hiroshima, 1945. Foto: AFP

Debate sobre o futuro dos três princípios não nucleares ganha força no governo de Sanae Takaichi, gerando apreensão entre sobreviventes dos ataques.

O Japão enfrenta um momento de profunda reflexão sobre sua doutrina de defesa, colocando em xeque o histórico compromisso com o pacifismo que definiu a nação após a Segunda Guerra Mundial. A incerteza sobre a manutenção dos três princípios não nucleares — que proíbem possuir, produzir ou permitir armas atômicas em território nacional — surge como resposta ao fortalecimento militar da China e da Coreia do Norte, bem como às dúvidas sobre a estabilidade do apoio dos Estados Unidos na região.

Os ataques contra Hiroshima e Nagasaki, ocorridos respectivamente em 6 de agosto de 1945 e 9 de agosto de 1945, deixaram um rastro de mais de 210 mil mortes. Esse trauma coletivo tornou-se o pilar da identidade política japonesa, que consolidou os princípios antinucleares em 1967. O impacto dessa memória na dignidade nacional e na preservação da vida segue sendo o principal freio contra a escalada armamentista.

Durante a cerimônia em Hiroshima, na quinta-feira, a primeira-ministra Sanae Takaichi foi questionada por Satoshi Tanaka, sobrevivente do bombardeio, sobre a continuidade dessas diretrizes. Ao afirmar que o Japão “atualmente” segue os princípios, mas evitar um compromisso com o futuro, a líder acendeu alertas entre grupos civis. O debate foi incentivado por declarações recentes do ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, que defendeu discussões “sem tabus” sobre o arsenal nuclear.

O cenário é de transição. Enquanto integrantes do Partido da Inovação do Japão, como Yoshimura, sugerem discutir apenas a permissão de introdução de armas de aliados no território, o governo avança no aumento de gastos militares e na revisão da Constituição. A mudança preocupa os hibakusha — como são chamados os sobreviventes —, grupo que em 2024 foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz. Com a idade média de 86,7 anos entre os pouco mais de 91 mil sobreviventes remanescentes, a pressão para que o legado pacifista seja preservado ganha contornos de urgência histórica.

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