ARTICULAÇÃO POLÍTICA INTERNA

Jair Bolsonaro reafirma Flávio Bolsonaro como seu porta-voz oficial

Foto de arquivo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Jair Bolsonaro em registro documental feito por Rosinei Coutinho durante ações no STF.

Decisão visa pacificar divisões no PL e consolidar a estratégia eleitoral do grupo diante de divergências familiares e políticas.

O ex-presidente Jair Bolsonaro formalizou o senador Flávio Bolsonaro (PL) como seu porta-voz oficial e principal candidato à Presidência da República, conforme comunicado oficializado em 11 de julho de 2026. A medida, que busca unificar as diretrizes políticas do grupo, foi divulgada em 13 de julho de 2026 após um período de instabilidade interna provocado por divergências expostas publicamente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Na carta, Jair Bolsonaro identifica Flávio como o interlocutor legítimo para representar sua plataforma política, focada no combate à corrupção, à violência e ao empobrecimento econômico do Brasil. O ex-presidente exorta seus apoiadores a superarem divisões internas, enfatizando a necessidade de união em prol dos valores que defende sob o lema Deus, pátria, família e liberdade.

O senador Flávio Bolsonaro declarou, durante transmissão via YouTube, que a designação serve para mitigar ruídos e garantir que a direita atue de forma coordenada. A decisão ocorre em um momento em que a figura central do bolsonarismo cumpre prisão domiciliar desde março, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A condição restringe o contato direto de Jair Bolsonaro com o público e o uso de meios digitais, tornando a atuação do porta-voz indispensável para a manutenção do projeto político.

A crise interna que motivou a decisão ganhou contornos públicos após Michelle Bolsonaro tecer críticas severas à condução política da legenda, mencionando especificamente alianças no Ceará com o PSDB, sob liderança de Ciro Gomes, e conflitos pessoais com o enteado. O desgaste reflete uma insatisfação mais ampla, que inclui críticas de nomes como Paulo Figueiredo e Fábio Wajngarten sobre a gestão da pré-campanha.

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