DIPLOMACIA EM CRISE

Itamaraty reduz nível diplomático com Argentina após ataques de Javier Milei

Edifício do Itamaraty em Brasília.
O embaixador argentino Guillermo Daniel Raimondi perde trâmite oficial após crise diplomática.

Brasil comunica ao embaixador Guillermo Daniel Raimondi que ele não terá mais trâmite oficial. Decisão é resposta a ofensas reiteradas contra Luiz Inácio Lula da Silva.

O Itamaraty decidiu reduzir o patamar da relação diplomática com a Argentina ao comunicar que não manterá mais trâmites oficiais com o embaixador Guillermo Daniel Raimondi. A medida, comunicada nesta terça-feira (4), ocorre como resposta direta aos sucessivos ataques do presidente Javier Milei contra o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com essa definição, o governo brasileiro passa a centralizar as comunicações exclusivamente com o encarregado de negócios argentino em Brasília. O embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, permanece em solo nacional, reforçando o distanciamento institucional enquanto persistirem as ofensas por parte do chefe de Estado argentino.

A decisão, embora grave, não configura uma expulsão formal. Guillermo Daniel Raimondi não foi declarado persona non grata, mas perde a interlocução oficial, ficando livre para retornar a Buenos Aires. A medida espelha estratégias diplomáticas utilizadas em outros contextos internacionais, como o caso envolvendo Maria Luiza Viotti e os Estados Unidos, visando sinalizar desaprovação sem romper totalmente os laços.

A crise escalou após Javier Milei proferir insultos contra Luiz Inácio Lula da Silva e contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), durante um evento político em São Paulo no qual participou Flávio Bolsonaro (PL). Desde então, nomes como Dario Durigan e Guilherme Boulos elevaram o tom das críticas, enquanto o governo argentino, por meio de Pablo Quirno, tentou inicialmente minimizar os impactos institucionais.

O agravamento definitivo deu-se no domingo (2), quando o presidente argentino renovou os ataques em entrevista à emissora LN+. O Itamaraty sustenta que o distanciamento é a resposta necessária para preservar a dignidade das instituições brasileiras perante o que classifica como interferência ideológica.

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