ISRAEL DESAFIA BRASIL

Itamaraty convoca diplomata de Israel após vídeo com ativistas amarrados

Manifestantes segurando faixas e bandeiras em um protesto.
Manifestantes protestam contra ações de Israel em Gaza.

A chefe da embaixada de Israel no Brasil, Rasha Athamni, foi convocada após divulgação de vídeo pelo ministro Itamar Ben Gvir com ativistas de flotilha humanitária amarrados.

A diplomata Rasha Athamni, chefe da embaixada de Israel no Brasil, foi convocada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026. A decisão ocorreu após a divulgação de um vídeo pelo ministro da Segurança Nacional israelense, Itamar Ben Gvir. Nas imagens, ativistas de uma flotilha humanitária que se dirigia a Gaza aparecem ajoelhados e com as mãos amarradas nas costas, enquanto Ben Gvir os observa e filma. A medida busca solicitar esclarecimentos sobre o ocorrido, que gerou forte repúdio internacional e nacional.

A flotilha, composta por cerca de 430 pessoas, segundo a organização Global Sumud, foi interceptada em águas internacionais. O vídeo, divulgado no Telegram de Ben Gvir, expôs o tratamento dispensado aos ativistas, o que o Itamaraty classificou como 'degradante e humilhante', atentando contra a dignidade humana. O Brasil também reiterou seu repúdio à interceptação e à detenção dos participantes, demandando a libertação imediata de todos, incluindo quatro cidadãos brasileiros. O governo brasileiro ressaltou a necessidade de pleno respeito aos direitos dos detidos, em conformidade com compromissos internacionais, como a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes.

A repercussão negativa das imagens ultrapassou as fronteiras brasileiras. Países como Espanha, Itália e França, além da Organização das Nações Unidas (ONU), também emitiram críticas à atitude das autoridades israelenses. Internamente, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que a ação de Ben Gvir não reflete os valores e normas de Israel. Contudo, o gabinete de Netanyahu também enfatizou o direito do Estado de Israel de impedir a entrada de "flotilhas provocativas de apoiadores terroristas do Hamas em suas águas territoriais e a chegada a Gaza".

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