CONFLITO SEM FIM
Itamaraty condena morte de família brasileira em ataque no Líbano
Tragédia acontece apesar de cessar-fogo; menino Ali, de 11 anos, já foi sepultado. Corpos dos pais ainda desaparecidos.
Uma família de libaneses naturalizados brasileiros, com raízes profundas em Foz do Iguaçu, Paraná, foi tragicamente morta em um ataque israelense no sul do Líbano no domingo, 26 de abril de 2026. O bombardeio, que vitimou o casal Ghassan Nader e Manal Jaafar, e seu filho Ali Ghassan Nader, de 11 anos, ocorreu após eles retornarem à sua casa, confiando em um anúncio de cessar-fogo. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou as mortes nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, e condenou veementemente as "reiteradas e inaceitáveis violações" do acordo, destacando a perda de vidas civis inocentes e a constante ameaça à dignidade humana em meio ao conflito.
Por quase duas décadas, a família viveu em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, onde construiu uma vida, abriu negócios e se naturalizou brasileira, antes de retornar ao Líbano em 2010. O menino Ali, nascido no Líbano, foi sepultado na segunda-feira, 27 de abril de 2026, mas os corpos de seus pais, Ghassan Nader e Manal Jaafar, ainda não foram localizados. Um dos filhos do casal, nascido em Foz do Iguaçu, sobreviveu ao ataque. Os outros dois filhos não estavam na residência no momento do bombardeio, escapando por pouco.
Mohamad Ali Kassem Jaafar, irmão de Manal, descreveu a trajetória da família: "Meu cunhado foi para o Brasil por volta de 1990, e minha irmã em 1996. Eles ficaram em Foz do Iguaçu até 2010, onde tiveram dois meninos e uma menina. Trabalharam no Brasil e no Paraguai, abriram negócios e regularizaram tudo." A decisão de voltar ao Líbano, que inicialmente seria uma visita em 2010, transformou-se em permanência após o falecimento de um irmão de Ghassan Nader. "Mesmo assim, sempre mantiveram o amor pelo Brasil e ensinaram isso aos filhos", afirmou Mohamad.
Família morreu após bombardeio israelense — Foto: Arquivo pessoal
A tragédia se abateu sobre a família após um retorno breve, mas fatal. Mohamad Ali Kassem Jaafar relatou que a família havia se deslocado para Beirute, a capital, no início do conflito. No entanto, após o anúncio de um cessar-fogo, decidiram voltar para a casa em Bint Jeil, no Sul do Líbano. "Disseram que tinha cessar-fogo e as pessoas começaram a voltar. Na primeira semana, eles iam e voltavam. Na segunda semana, estavam em casa, como uma família, preparando um almoço, quando aconteceu o bombardeio", ele descreveu. Mohamad esteve com os parentes um dia antes do ataque, passando a noite na residência.
Criança tinha o sonho de conhecer o Brasil, segundo o tio Mohamad — Foto: Arquivo pessoal
Ao saber do bombardeio, Mohamad viajou imediatamente de Beirute para o sul. "A casa, de três andares, estava toda no chão. É um terror. A gente não conseguiu encontrar os corpos. Eu mesmo procurei com as minhas mãos", contou, visivelmente emocionado, sobre a devastação que encontrou.
Ali Ghassan Nader, Ghassan Nader e Manal Jaafar, vítimas de um bombardeio no Líbano. — Foto: Reprodução / Redes Sociais
Condenação Internacional e Violações do Cessar-Fogo
Neste domingo, 26 de abril de 2026, o Exército israelense iniciou novos ataques no sul do Líbano. A ofensiva ocorreu apesar de um cessar-fogo com o Hezbollah, grupo extremista libanês apoiado pelo Irã, que foi prorrogado até a segunda quinzena de maio. A agência de notícias francesa RFI divulgou a informação, reportando que pelo menos 14 pessoas morreram e 37 ficaram feridas nos ataques do domingo.
Fumaça no Líbano após um ataque israelense neste domingo (26). — Foto: REUTERS/Shir Torem
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, informou que o ataque israelense representa mais uma das "reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo" anunciado em 16 de abril. O governo brasileiro lamentou a morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças. "Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah", declarou o Itamaraty, que defende a retirada imediata das tropas israelenses do Líbano.
A embaixada brasileira em Beirute está prestando assistência à família dos brasileiros que morreram no ataque. O Exército israelense justificou os ataques como resposta a "repetidas violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah", segundo a RFI. A ofensiva militar ocorreu após a emissão de um alerta de evacuação para moradores de sete cidades e vilarejos da região.
A Prorrogação do Cessar-Fogo e a Fragilidade da Paz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira, 23 de abril de 2026, a prorrogação do cessar-fogo entre Israel e Líbano por mais três semanas. A decisão foi resultado de uma nova reunião entre autoridades dos dois países em Washington. A trégua, que entrou em vigor em 16 de abril com duração inicial de 10 dias, deve agora estender-se até o início da segunda quinzena de maio. No entanto, a efetividade do acordo permanece questionável, dado que Israel e o Hezbollah continuam a trocar ataques, como o lançamento de foguetes pelo grupo extremista libanês contra o norte de Israel, interceptados nesta mesma quinta-feira.
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