GOLPE DIPLOMÁTICO
Israel suspende diálogos com chefe da UE após suposta comparação com Apartheid
Ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, rompe contatos com Kaja Kallas, citando declarações polêmicas. Crise se aprofunda em meio a debates sobre assentamentos e sanções.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, anunciou nesta sexta-feira, 19/06/2026, a suspensão de todos os contatos com a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. A decisão drástica surge após o governo israelense atribuir à representante da União Europeia declarações que comparariam a política israelense ao regime de Apartheid, vigente na África do Sul entre 1948 e 1994. Este rompimento eleva a tensão diplomática e impacta diretamente a relação entre Israel e a UE, levantando questões sobre o respeito mútuo e a busca por soluções pacíficas no Oriente Médio.
Em uma publicação na rede social X, Saar detalhou sua decisão, afirmando que não manterá relações institucionais com Kallas até que ela esclareça ou retire as supostas declarações. 'Recentemente, foi divulgado que, durante sua visita ao México, ela comparou Israel ao regime racista de Apartheid que existiu na África do Sul', escreveu o chanceler. Saar classificou a comparação como uma 'calúnia de sangue' contra Israel e declarou que, como ministro das Relações Exteriores do Estado de Israel, não tinha outra alternativa senão romper todos os contatos. Ele reiterou que a posição de Israel permanecerá inalterada enquanto ela não esclarecer se utilizou ou não o termo 'apartheid' em referência ao país.
Kallas respondeu pela mesma plataforma, sem abordar diretamente a acusação de Saar. Ela destacou a importância das relações entre Israel e a União Europeia e se declarou aberta ao diálogo. 'Valorizo o diálogo e continuo disposta a manter conversas de forma respeitosa e construtiva', declarou. A resposta, contudo, não foi suficiente para alterar a posição de Israel.
O episódio se desenrola em um cenário de crescente deterioração nas relações entre Israel e governos europeus. Nesta semana, Kallas informou sobre sua intenção de solicitar novamente à Comissão Europeia a elaboração de propostas para restringir ou sancionar exportações provenientes de assentamentos israelenses na Cisjordânia. Essa medida, defendida por diversos países do bloco, visa pressionar Israel em relação aos assentamentos, considerados ilegais pelo direito internacional.
A chefe da diplomacia europeia também revelou que alguns países da União Europeia haviam defendido a aplicação de sanções contra o ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir. Figura proeminente da ala nacionalista e de extrema direita do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Ben Gvir esteve no centro de controvérsias recentes, incluindo imagens envolvendo militantes da chamada Flotilha para Gaza. Tais eventos levaram países como França e Irlanda a adotarem restrições contra o ministro no fim de maio, acentuando o isolamento diplomático de integrantes do governo israelense em algumas capitais europeias.
A relação entre Israel e a União Europeia tem se tornado cada vez mais complexa desde o início do conflito na Faixa de Gaza, desencadeado pelo ataque do Hamas em outubro de 2023. O conflito gerou sucessivos atritos diplomáticos, focados na condução das operações militares israelenses, na grave situação humanitária no enclave palestino e no aumento da violência envolvendo colonos israelenses e palestinos na Cisjordânia.
O rompimento de contatos entre Saar e Kallas evidencia as dificuldades de Israel em manter a interlocução com parceiros europeus e expõe as divisões internas da União Europeia sobre como responder ao conflito no Oriente Médio. A situação segue mobilizando governos, organismos multilaterais e diplomatas, na busca por caminhos para um cessar-fogo duradouro e para a preservação da dignidade humana em meio à escalada de tensões.
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