CONFLITO AGUDA

Israel ataca líder do Hamas em Gaza, apesar de cessar-fogo

Israel ataca líder do Hamas em Gaza, apesar de cessar-fogo

Ataque aéreo mirou Izz al-Din al-Haddad; uma mulher morta e seis feridos em bairro residencial. Ação contraria trégua mediada pelos EUA e acirra tensões.

Na tarde de sexta-feira, 15 de maio de 2026, Israel, por meio de um comunicado conjunto assinado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo ministro da Defesa Israel Katz, realizou um ataque aéreo direcionado a Izz al-Din al-Haddad, apontado como principal líder militar do Hamas. O governo israelense responsabiliza al-Haddad por ser um dos “arquitetos” do ataque de 7 de outubro de 2023, pela manutenção de reféns e por se recusar a desarmar o grupo, conforme um acordo mediado pelo então presidente dos EUA, Donald Trump. Este novo ato de força, em meio a um frágil cessar-fogo em Gaza, provocou a morte de pelo menos uma mulher e feriu outras seis pessoas, acendendo o alerta para a escalada da violência e o impacto devastador na vida dos civis na região.

Serviços de emergência em Gaza reportaram que Israel atingiu um prédio residencial no bairro al-Rimal, próximo à Cidade de Gaza, durante a tarde. O diretor do Hospital Al-Shifa confirmou à CNN que pelo menos uma mulher perdeu a vida no ataque, e outras seis pessoas ficaram feridas, uma delas em estado crítico.

Conhecido como o “Fantasma de al-Qassam” por seu perfil discreto, al-Haddad é uma figura proeminente no Hamas e lidera as Brigadas Izz al-Din al-Qassam, o braço militar do grupo. Com a eliminação de outros líderes do Hamas, como Yahya Sinwar, seu irmão Mohammed Sinwar e Mohammed Deif, al-Haddad ascendeu ao posto de um dos principais estrategistas e tomadores de decisão do grupo palestino.

Embora um alto funcionário de segurança israelense tenha afirmado que as indicações iniciais apontam para o sucesso da operação de assassinato, o Hamas não se pronunciou imediatamente. A CNN, por sua vez, não conseguiu confirmar de forma independente a morte de al-Haddad.

Este bombardeio, realizado apesar de um cessar-fogo ostensivo em vigor desde outubro, insere-se na série de ataques frequentes de Israel em Gaza. As autoridades israelenses justificam essas ações como mira em alvos do Hamas ou na prevenção de ameaças iminentes às suas forças que ocupam mais da metade do enclave devastado. O Ministério da Saúde da Palestina reporta que mais de 850 vidas foram ceifadas em Gaza por ataques israelenses desde o início do cessar-fogo em meados de outubro, evidenciando o custo humano da persistente violência.

Na quinta-feira, 14 de maio de 2026, Nickolay Mladenov, o responsável pela implementação do acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA em Gaza, admitiu que a trégua está “longe de ser perfeita”, embora tenha gerado uma “estabilidade relativa”. Mladenov, ex-Coordenador Especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, reiterou em coletiva de imprensa que o desarmamento do Hamas permanece um obstáculo crucial.

“O plano é claro: o Hamas precisa se afastar do governo de Gaza, suas armas precisam ser desativadas e Gaza precisa ser desradicalizada”, pontuou Mladenov. Ele condicionou a retirada completa de Israel de Gaza ao cumprimento desses elementos essenciais do plano, focando no desarmamento do Hamas e no estabelecimento de uma governança civil efetiva na região.

*Com informações de Agencia Brasil

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