PAZ EM RISCO

Irã rejeita pontos de proposta dos EUA para o Oriente Médio

O presidente Donald Trump discursa antes de assinar uma proclamação no Salão Oval da Casa Branca, na terça-feira, 5 de maio de 2026, em Washington — Foto: AP/Jacquelyn Martin
O presidente Donald Trump discursa antes de assinar uma proclamação no Salão Oval da Casa Branca, na terça-feira, 5 de maio de 2026, em Washington — Foto: AP/Jacquelyn Martin

Teerã exige concessões e adia acordo; bilhões em ativos e trégua no Estreito de Ormuz estão em jogo.

As negociações entre Irã e Estados Unidos sobre uma proposta de paz para o Oriente Médio enfrentam um impasse significativo, conforme revelou uma autoridade de Teerã nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026. Apesar do otimismo de mediadores do Paquistão sobre a proximidade de um acordo, o Irã classificou alguns pontos do documento como "inaceitáveis", adiando a esperada resolução de um conflito que há anos impacta a estabilidade global e a vida de milhões na região. A continuidade das tensões gera incertezas, enquanto um desfecho positivo poderia trazer alívio e segurança para um dos focos de maior instabilidade geopolítica.

O texto, um memorando de uma página, ainda aguarda resposta oficial de Teerã, segundo a fonte anônima, que criticou o momento da divulgação por parte da mídia americana. Para o Irã, as notícias visam justificar a recente retirada do ex-presidente Trump de uma ação no Estreito de Ormuz, e a linguagem ameaçadora "pode piorar a situação para os Estados Unidos".

Envolvida nos esforços diplomáticos, uma autoridade do Paquistão expressou otimismo à agência Reuters. "Vamos concluir isso muito em breve. Estamos quase lá", afirmou.

No entanto, o parlamentar iraniano Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa, usou a rede social X para minimizar as informações. Rezaei declarou que o "Irã tem o dedo no gatilho", classificando o texto da Axios como "mais uma lista de desejos dos americanos do que uma realidade". Ele advertiu que, caso não haja concessões ou se houver "travessuras", o Irã dará uma "resposta dura" e os Estados Unidos "irão se arrepender".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se manifestou nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, sobre o possível fim da guerra. Ele afirmou que o conflito será encerrado se o regime iraniano "cumprir o combinado", mas reiterou a ameaça de bombardeios "muito maiores" contra Teerã.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que o governo revisa a proposta de paz, mas não forneceu detalhes adicionais.

A imprensa dos EUA e uma fonte do Paquistão indicam que um acordo está próximo. Segundo o Axios, os EUA esperam a resposta do Irã nas próximas 48 horas, conforme relatos de autoridades norte-americanas e fontes informadas.

A proposta inclui uma moratória nas limitações ao enriquecimento de urânio por parte do Irã. Em troca, os EUA suspenderiam sanções econômicas e liberariam bilhões em ativos iranianos congelados. O memorando também prevê a suspensão dos bloqueios marítimos de ambos os países no Estreito de Ormuz. Esta via marítima, crucial para o comércio global, foi palco de recentes confrontos e é um dos pontos mais sensíveis do conflito.

Mais cedo, nesta quarta-feira, um dia após Trump anunciar a suspensão temporária da operação militar norte-americana na região, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã assegurou que o Estreito de Ormuz está liberado para navegação "segura".

Apesar do otimismo, o Axios relata que muitas autoridades da Casa Branca permanecem céticas quanto à assinatura de um acordo preliminar. A fragmentada liderança do Irã, com suas múltiplas autoridades de alto nível, dificulta o consenso. Outra preocupação é que o memorando pode conter brechas que levariam à retomada do conflito no futuro, minando os esforços por uma paz duradoura.

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