CRISE EM ORMUZ

Irã e EUA mantêm Ormuz em alerta após travessia de petroleiros

Navios petroleiros no Estreito de Ormuz com montanhas ao fundo, sob tensão Irã-EUA
Navios parados no Estreito de Ormuz, perto de Bandar Abbas, no Irã — Foto: Amirhosein Khorgooi/ISNA/WANA

Apesar da passagem de três embarcações, Kuwait relata drones hostis; Donald Trump aguarda resposta iraniana. Rota vital para 20% do petróleo mundial segue sob tensão.

A rota vital para o comércio global de petróleo no Estreito de Ormuz testemunhou a passagem de três navios petroleiros neste domingo, 10 de maio de 2026, um evento que, embora aparente rotina, sublinha a frágil trégua entre Irã e Estados Unidos e o impacto direto na estabilidade energética e econômica mundial. A travessia ocorre em meio a uma tensão elevada na região, crucial para a economia global e a vida de milhões de pessoas que dependem do fluxo ininterrupto de energia.

Segundo a agência Reuters, um navio do Catar, carregado com gás natural, cruzou o estreito sem incidentes, seguindo para o Paquistão. Esta passagem, a primeira desde o início do conflito com o Irã, foi interpretada como um gesto de boa vontade iraniano ao Catar e ao Paquistão, países que buscam mediar as negociações para aliviar o conflito. O combustível é vital para o Paquistão, que enfrentava apagões por escassez de gás, mostrando o impacto humano direto da instabilidade.

Apesar da aparente normalidade da travessia, o clima na região do Golfo Pérsico continua instável. O Kuwait informou ter identificado drones hostis em seu espaço aéreo na manhã deste domingo, 10 de maio de 2026, após dias de novos confrontos e ataques isolados que ameaçam um cessar-fogo firmado há cerca de um mês.

Enquanto isso, autoridades iranianas alertaram que embarcações de nações que apoiam as sanções impostas pelos Estados Unidos podem enfrentar severas restrições ao tentar cruzar o Estreito de Ormuz, intensificando a incerteza para a navegação internacional.

Os Estados Unidos aguardam uma resposta oficial do Irã sobre uma proposta para encerrar o conflito e iniciar negociações mais abrangentes, incluindo o controverso programa nuclear iraniano. O presidente Donald Trump expressou expectativa por uma resposta “muito em breve”, dado que sua viagem à China, prevista para esta semana, eleva a pressão por um acordo para evitar mais impactos no mercado global de energia e na economia mundial.

Antes do conflito, aproximadamente 20% do petróleo consumido globalmente passava pelo Estreito de Ormuz. Desde o início da tensão, o Irã tem restringido parte da circulação de navios estrangeiros, uma medida que parlamentares iranianos discutem formalizar através de um projeto de lei. O texto prevê ampliar o controle do país sobre o estreito, podendo barrar embarcações de nações consideradas inimigas.

Em resposta, os EUA buscam apoio internacional para garantir a segurança da navegação na região. Contudo, enfrentam resistência de aliados da OTAN, que hesitam em enviar navios militares sem a garantia de um acordo de paz mais amplo e duradouro. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, debateu a questão com o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, no sábado, 9 de maio de 2026. O Reino Unido, por sua vez, anunciou o envio de um navio de guerra ao Oriente Médio para integrar uma possível missão internacional de segurança.

Em um comunicado veiculado nas redes sociais, o governo iraniano emitiu uma forte advertência, afirmando que mísseis e drones já estão posicionados, aguardando apenas uma ordem para retaliar. Esta ameaça surge após os EUA bombardearem dois petroleiros iranianos na sexta-feira, 8 de maio de 2026, durante o período de cessar-fogo. Segundo os americanos, as embarcações tentavam furar o bloqueio naval no Estreito de Ormuz.

O Irã acusou os Estados Unidos de atacar áreas civis próximas ao estreito e reiterou que não aceitará pressão militar durante as negociações. O chanceler iraniano, Abbas Aragchi, criticou Washington, destacando que o país ampliou seu estoque de mísseis desde o início do conflito. Em contrapartida, o presidente Donald Trump minimizou os ataques, afirmando que a ação não violou o cessar-fogo estabelecido.

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