CONFRONTO IMINENTE

Irã desafia EUA em Hormuz: 'Ainda nem começou'

Irã desafia EUA em Hormuz: 'Ainda nem começou'

Ameaças elevam tensão no Estreito, rota vital para um quinto do petróleo mundial. Quase 20 mil marinheiros retidos aguardam desfecho.

A tensão no Estreito de Hormuz atingiu um novo patamar nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, com o Irã elevando drasticamente o tom das ameaças contra a operação dos Estados Unidos para escoltar navios na crucial passagem marítima. Mohamad Bagher Ghalibaf, chefe do Parlamento iraniano, declarou que o verdadeiro confronto "ainda nem começou", enquanto Washington, através do secretário de Defesa Pete Hegseth, reafirmou que, embora busque evitar um conflito, não hesitará em uma resposta "devastadora" a qualquer ataque. A escalada acende um alerta global, pois a disputa pelo controle da via, vital para o comércio mundial de petróleo, impacta diretamente a estabilidade econômica e a segurança de milhares de marinheiros.

Essa disputa, que coloca Washington e Teerã em lados opostos pelo controle da passagem marítima, é agravada pelo fato de que cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo passava por essa rota antes do início do conflito, cujas interrupções já provocaram um aumento expressivo no preço do petróleo global.

Mohamad Bagher Ghalibaf, em uma mensagem publicada na rede social X, foi incisivo: "Sabemos perfeitamente que a continuidade da situação atual é insustentável para os Estados Unidos, enquanto nós ainda nem começamos". O líder do Parlamento iraniano acrescentou que a "presença maligna" das forças americanas na região diminuirá.

Em Washington, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, falou a jornalistas nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, e garantiu que a operação americana para proteger navios comerciais é temporária, reiterando que os Estados Unidos não buscam um confronto e que a trégua com o Irã permanece em vigor. Contudo, Hegseth alertou que uma ação militar não está descartada e que qualquer ataque iraniano provocará uma resposta "devastadora". "Não estamos buscando um conflito. Mas também não podemos permitir que o Irã bloqueie países inocentes e suas mercadorias em uma via navegável internacional", frisou o secretário. Ele mencionou ainda que o presidente Donald Trump "pode tomar uma decisão caso algo evolua para uma violação do cessar-fogo".

Desde o início da guerra, o estreito está bloqueado por Teerã, desencadeando a já mencionada alta nos preços do petróleo. Em uma tentativa de pressionar o rival, Washington respondeu impondo um bloqueio aos portos iranianos, acirrando ainda mais o impasse.

Na segunda-feira, 04 de maio de 2026, os EUA lançaram a operação "Projeto Liberdade", com o objetivo de permitir a passagem de navios que estavam retidos há semanas. Empresas especializadas estimaram que, no fim de abril, mais de 900 embarcações e quase 20 mil marinheiros estavam no Golfo Pérsico, enfrentando incertezas.

A resposta iraniana não demorou. Relatos de explosões e incêndios em diversos navios no Golfo surgiram, e um porto de petróleo nos Emirados Árabes Unidos, que abriga uma importante base militar dos EUA, foi incendiado por mísseis iranianos.

O Comando Central dos EUA confirmou que dois navios mercantes com bandeira americana, escoltados por destróieres de mísseis guiados da Marinha, conseguiram atravessar o estreito na segunda-feira, 04 de maio de 2026. A Maersk, empresa dinamarquesa de transporte, confirmou que um de seus navios, que carregava veículos e estava bloqueado na região desde fevereiro, também completou a travessia sob a proteção das forças americanas.

Os Estados Unidos também informaram ter destruído seis embarcações iranianas que "ameaçavam a navegação comercial" e que mísseis lançados contra seus navios na região foram interceptados.

Em contrapartida, Teerã negou qualquer dano às suas embarcações e acusou Washington de ser responsável pela morte de cinco civis em ataques contra duas embarcações que haviam partido de Omã com destino à costa iraniana, elevando o custo humano e a complexidade do conflito.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, ressaltou que os acontecimentos da segunda-feira, 04 de maio de 2026, demonstram a ausência de uma solução militar para a crise. Ele afirmou que as negociações de paz estão progredindo, com a mediação do Paquistão, e alertou os EUA e os Emirados Árabes Unidos contra o perigo de se envolverem em um "atoleiro" prolongado.

Internacionalmente, o presidente da França, Emmanuel Macron, classificou os ataques como "inaceitáveis". A Arábia Saudita, por sua vez, emitiu um aviso sobre o risco de uma nova "escalada militar" no Golfo, sublinhando a preocupação global com a instabilidade na região. As tentativas de retomar as negociações entre Irã e EUA, cruciais para a desescalada, permanecem, até o momento, sem sucesso.

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