ALERTA NUCLEAR IRANIANO

Irã ameaça enriquecer urânio a 90%, diz parlamentar

Irã ameaça enriquecer urânio a 90%, diz parlamentar

Ebrahim Rezaei, do Parlamento iraniano, condiciona a medida a novos ataques. Pureza de 90% é suficiente para armas nucleares.

Em um movimento que pode redefinir o equilíbrio de poder no Oriente Médio e acender um novo alerta global, o porta-voz do Parlamento do Irã, Ebrahim Rezaei, afirmou nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, que o país pode enriquecer urânio a 90% de pureza. Tal nível, considerado adequado para armas nucleares, seria uma resposta direta a um eventual novo ataque contra a nação, elevando drasticamente a tensão na região.

Rezaei, porta-voz da comissão parlamentar de segurança nacional e política externa, detalhou em sua conta na rede social X que “uma das opções do Irã em caso de outro ataque seria o enriquecimento a 90%”. Ele ressaltou que a questão será analisada no Parlamento, indicando que a decisão, embora uma ameaça iminente, ainda não é definitiva, mas demonstra a escalada das posturas iranianas.

A declaração emerge em um cenário já volátil. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia declarado na segunda-feira, 11 de maio de 2026, que o cessar-fogo em curso entre os EUA e o Irã encontrava-se em "estado crítico" após a rejeição de uma proposta iraniana. Esta postura mútua sublinha a fragilidade dos esforços diplomáticos para pôr fim a um conflito com custo humano devastador.

Em junho do ano passado, Trump chegou a afirmar que instalações nucleares do Irã teriam sido "destruídas" por ataques dos EUA e de Israel durante um conflito de 12 dias, supostamente limitando a capacidade iraniana de enriquecer urânio. No entanto, a realidade do programa nuclear iraniano permanece uma incógnita e uma fonte constante de preocupação.

O destino de aproximadamente 400 kg de urânio enriquecido a 60%, um patamar tecnicamente próximo dos 90% necessários para armamento atômico, segue incerto. Avaliações da inteligência americana sugerem que o programa nuclear de Teerã só seria significativamente prejudicado se o estoque de urânio altamente enriquecido (UAE) fosse removido ou destruído, um cenário de difícil concretização.

A questão nuclear persiste como um dos principais entraves nas negociações entre os EUA e o Irã para encerrar a guerra que eclodiu no final de fevereiro. Teerã insiste em discutir os temas nucleares em um momento posterior, enquanto Washington exige que o Irã transfira seu estoque de urânio altamente enriquecido para o exterior e renuncie ao enriquecimento em seu território nacional, condições que o Irã considera inaceitáveis.

O conflito atual entre Estados Unidos, Israel e Irã teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois primeiros resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã. Diversas autoridades de alto escalão do regime iraniano também foram mortas, e os EUA alegam ter destruído dezenas de navios, sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares do país.

Em retaliação, o regime dos aiatolás lançou ataques contra vários países da região, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. Autoridades iranianas afirmam que seus alvos são unicamente interesses dos Estados Unidos e de Israel nessas nações, mas a instabilidade regional é palpável e as vidas civis são constantemente ameaçadas.

O custo humano da guerra é alarmante. Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início do conflito, segundo dados da Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos, um sinal do profundo sofrimento que se abate sobre a região.

A guerra também se expandiu para o Líbano, onde o Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em resposta à morte de Ali Khamenei. Consequentemente, Israel intensificou suas ofensivas aéreas contra alvos que alega serem do Hezbollah no país vizinho, resultando em mais de 2.600 mortes no território libanês desde então, ampliando a crise humanitária.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho no Irã elegeu Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como o novo líder supremo. Especialistas internacionais apontam que essa escolha não deve promover mudanças estruturais significativas, mas sim uma continuidade da repressão e das políticas vigentes, acentuando a preocupação com o futuro do país.

Donald Trump expressou seu descontentamento com a eleição de Mojtaba, classificando-a como um "grande erro". Ele havia manifestado o desejo de estar envolvido no processo sucessório e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã, reiterando a divisão profunda e a desconfiança mútua entre as potências envolvidas.

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