INFLAÇÃO ACELERA

IPCA-15 dispara em abril, impulsionado por alimentos

IPCA-15 acelera para 0,89% em abril
Posto de combustível em Osasco, Grande São Paulo. A elevação dos preços dos combustíveis impacta o IPCA-15. — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

A prévia da inflação oficial do país, medida pelo IPCA-15, atinge 0,89% em abril, acumulando 4,37% em 12 meses. O aumento, divulgado pelo IBGE, evidencia a pressão sobre o orçamento familiar, com destaque para a alta nos preços de alimentos e combustíveis.

A pressão no orçamento das famílias brasileiras se intensificou com a aceleração da inflação. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou, nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, que a prévia da inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), subiu 0,89% em abril. Este aumento, impulsionado principalmente pelos custos de alimentos e combustíveis, representa um desafio concreto ao poder de compra e à dignidade financeira dos cidadãos.

Com este resultado, o indicador acumula uma alta de 4,37% nos últimos 12 meses. Apesar da aceleração, o IPCA-15 ainda se mantém dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, a meta é de 3%, com um limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, esta meta opera de forma contínua, significando que seu cumprimento é monitorado mensalmente com base na inflação acumulada em 12 meses.

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, alimentação e transportes foram os que mais contribuíram para a alta. O grupo Alimentação e bebidas registrou aumento de 1,46% e teve o maior peso no resultado mensal. Em seguida, aparece Transportes, com uma elevação de 1,34%. Juntos, esses dois grupos foram responsáveis por aproximadamente 65% da alta do IPCA-15 em abril, evidenciando o impacto direto no custo de vida.

Veja a variação mensal dos preços por grupos:

  • Alimentação e bebidas: 1,46%
  • Habitação: 0,42%
  • Artigos de residência: 0,48%
  • Vestuário: 0,76%
  • Transportes: 1,34%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,93%
  • Despesas pessoais: 0,32%
  • Educação: 0,05%
  • Comunicação: 0,48%

Alimentos: o peso na mesa do brasileiro

No grupo Alimentação e bebidas, a alta de 1,46% em abril foi puxada principalmente pelos alimentos consumidos em casa. A chamada alimentação no domicílio saltou de 1,1% em março para 1,77% em abril, impactando diretamente o orçamento familiar.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, explica que este movimento reflete uma combinação de fatores. "O resultado se deve tanto a choques de oferta e fatores climáticos, quanto a possíveis repasses da alta dos combustíveis para os custos logísticos", afirma, destacando a complexidade por trás da elevação dos preços.

Entre os itens que mais encareceram no último mês, destacam-se: Cenoura (+25,43%), Cebola (+16,54%) e Leite longa vida (+16,33%). Por outro lado, algumas quedas ajudaram a aliviar o cenário, como a Maçã (-4,76%) e o Café moído (-1,58%).

Lucas Barbosa complementa que parte da pressão recente também se conecta a ajustes sazonais. "A alimentação no domicílio segue bastante pressionada no curto prazo, em parte por reajustes sazonais, especialmente na parte dos produtos in natura", pontua.

Combustíveis: impacto direto no bolso e na logística

O grupo Transportes também registrou um aumento acentuado de preços em abril, passando de 0,21% em março para 1,34%. A principal influência veio do encarecimento dos combustíveis, cujos preços, como um todo, saíram de uma leve queda de 0,03% para uma alta de 6,06% no período, o que se traduz em mais gastos para deslocamento e frete.

Os combustíveis tiveram peso relevante na prévia da inflação de abril, com destaque para a alta da Gasolina (+6,23%), Óleo diesel (+16%) e Etanol (+2,17%). Em contrapartida, o Gás veicular registrou uma queda de -1,55%.

Além dos combustíveis, outros itens ligados ao transporte apresentaram comportamentos diversos. As passagens aéreas, por exemplo, tiveram uma redução de 14,32% em abril, após uma forte alta em março. Já no transporte público, as variações foram mais moderadas: ônibus urbano subiu 0,44%, táxi 0,08% e passagens intermunicipais 0,14%. O item integração do transporte público, que abrange sistemas de múltiplas modalidades, também teve alta de 0,90%.

A notável elevação dos preços dos combustíveis, observada no período, surge em um contexto de análise por parte das autoridades. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou que avalia indícios de possíveis irregularidades apontados pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Esta análise busca verificar se há elementos para uma investigação sobre as recentes variações de preços no setor. Importante notar que, em 13 de abril, a Petrobras havia anunciado um aumento de R$ 0,38 por litro do diesel para as distribuidoras, uma medida que antecedeu este levantamento e é parte do cenário de pressão inflacionária.

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