FALHAS NO SISTEMA
Relatório do Cenipa aponta que Voepass burlava manutenção de aeronaves
Investigação da Força Aérea revela manobras para ignorar prazos de reparos; Anac foi alertada sobre problemas recorrentes antes da tragédia em Vinhedo.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a Voepass utilizava práticas irregulares para contornar prazos de segurança em suas aeronaves. A decisão, tornada pública após a análise do acidente com o voo 2283, que vitimou 62 pessoas em Vinhedo (SP) em 2024, destaca que a empresa camuflava o caráter crônico de falhas técnicas para manter os aviões em operação.
De acordo com o relatório da Força Aérea, a conduta resultava na operação de aeronaves em condições degradadas, violando regulamentos vigentes. O mecanismo consistia em registrar defeitos na Lista de Equipamentos Mínimos (MEL) e, ao fim do prazo de reparo, declarar o sistema operacional sem que o conserto tivesse sido efetivado, reiniciando artificialmente a contagem de tempo.
Para o especialista Enio Beal Jr., coronel da reserva da FAB, o documento evidencia um processo de "normalização do desvio", onde a cultura interna de omissão de registros compromete a segurança de passageiros e tripulações. O relatório pontua, ainda, que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) tinha ciência prévia de falhas no sistema de degelo da companhia, embora as ações fiscalizatórias tenham sido insuficientes para mitigar os riscos operacionais.
Em nota, a Voepass afirmou que sua tripulação é experiente e que segue padrões internacionais, mantendo a colaboração com os órgãos competentes. A Anac informou que as recomendações do Cenipa, que possuem caráter preventivo, serão analisadas em um prazo de quatro meses para a definição de novas medidas de segurança.
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