ESCÂNDALO EM MINAS

Investigação aponta que Eduardo Cunha direcionava emendas parlamentares

Eduardo Cunha em entrevista coletiva.
Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, é investigado por direcionamento irregular de verbas.

Diálogos interceptados revelam que o ex-presidente da Câmara intermediava repasses e criticava gestores mineiros; STF bloqueou R$ 6,1 milhão.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhão de Eduardo Cunha após investigações da Polícia Federal (PF) apontarem o uso irregular de influência para o direcionamento de emendas parlamentares. A decisão judicial, proferida em 6 de julho de 2026, mira a atuação política do ex-deputado em Minas Gerais, onde ele busca retomar sua carreira pública como pré-candidato à Câmara dos Deputados.

Documentos obtidos pela PF mostram que, na busca por expandir sua base eleitoral em Minas Gerais, Eduardo Cunha tratava a distribuição de recursos públicos como ferramenta de troca, ignorando as necessidades técnicas dos municípios. Em uma comunicação via WhatsApp com a servidora Mariângela Fialek, a Tuca, o ex-parlamentar demonstrou impaciência com os entraves burocráticos locais, tratando prefeitos e gestores com descaso ao solicitar substituições nas cidades beneficiadas pelas verbas.

A investigação sugere que a estrutura de assessoria da Câmara dos Deputados teria sido mobilizada para operacionalizar o esquema. Segundo o relatório da PF, o ex-deputado, que não exerce mandato desde 2016, agia para garantir que as indicações de verbas atendessem estritamente aos seus interesses políticos. A prática prejudica a equidade na distribuição de recursos, que deveriam servir à população local e não a projetos de poder individual.

A decisão de 6 de julho de 2026 impôs limites severos aos ativos financeiros de Eduardo Cunha. Além dele, o ministro Flávio Dino também ordenou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, por suspeitas análogas envolvendo o uso da estrutura parlamentar.

Em resposta oficial, a defesa de Eduardo Cunha refuta as alegações de irregularidades. Os advogados sustentam que as emendas foram apresentadas por meios institucionais legítimos e classificam a investigação como uma tentativa de criminalizar a articulação política, prometendo contestar a medida cautelar do STF.

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